Suspensão do feriado da Consciência Negra causa mais confusão em Franca


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Consumidores circulam pelo calçadão do Centro de Franca. Feriado está suspenso apenas para lojistas associados às entidades que ingressaram com ação na Justiça
Consumidores circulam pelo calçadão do Centro de Franca. Feriado está suspenso apenas para lojistas associados às entidades que ingressaram com ação na Justiça
A 11 dias do feriado municipal da Consciência Negra, proposto pelo vereador Marcelo Valim (PSDB) e comemorado em 20 de novembro, continua a confusão. Trabalhadores de escolas, bancos e outros locais não sabem se terão folga ou se receberão dobrado por trabalhar no feriado. A confusão é resultado da polêmica liminar que suspende os efeitos da Lei 6730/06, que instituiu a data comemorativa. A suspensão, concedida pelo juiz de Direito Orlando Brossi Júnior, é válida até a ação ser julgada definitivamente. Para trabalhar e não pagar horas extras aos funcionários, sete entidades de Franca protocolaram a ação declaratória de nulidade alegando que o vereador não tem competência para instituir feriado. O juiz suspendeu o feriado, mas, ao contrário do que muitos pensam, a decisão, segundo juristas, não vale para todos. O efeito se restringe às entidades que ingressaram com a ação. “A decisão só é válida para as partes envolvidas na ação. Para atingir todos os francanos, deveria ser uma ação de inconstitucionalidade, para ter o que chamamos de efeito erga homes, ou seja, valer para todos”, disse o advogado Paulo Bizerra. “No frigir dos ovos”, apenas 20% das empresas de Franca não têm o feriado da Consciência Negra e podem trabalhar dia 20 sem pagar horas extras. “Quem quiser a suspensão, terá de ingressar com ação própria solicitando a suspensão do feriado”, orientou Bizerra. Alunos, professores e funcionários das escolas estaduais, municipais e particulares não sabem como será o 20 de novembro. “Não decidimos ainda. Independente da liminar ser válida apenas para as entidades, vamos seguir a maioria. Se lojas e empresas funcionarem, não tem porquê pararmos”, disse Ana Romero, coordenadora pedagógica do Monteiro Lobato - COC. No calendário do ano letivo de 2007, o Colégio Pestalozzi havia estabelecido a folga no feriado da Consciência Negra, mas pode alterar a definição. “Está uma confusão só. Vamos esperar outras escolas e entidades para saber se teremos folga ou aula”, disse a telefonista Camila Mota. No último dia 6, um decreto do governador José Serra suspendeu o expediente nas repartições públicas estaduais nas cidades que têm feriado municipal dia 20, mas, pelo menos nas escolas estaduais, a indecisão continua. As diretoras das unidades aguardam posicionamento da Diretoria de Ensino para saber e informar funcionários, professores e alunos se haverá aula ou não. Ivani Marchesi, dirigente de Ensino, não foi encontrada para falar a respeito. Nas escolas municipais, a dúvida se repete. A secretária de Educação, Leila Haddad, aguarda definições da administração municipal antes de anunciar como será a data. “Ainda não sei como vai funcionar. Teremos de aguardar”. Em quatro bancos consultados ontem, funcionários disseram que não sabem se as agências funcionarão e que esperam posição oficial a respeito. PARA QUEM VALE? A liminar suscitou dúvidas até mesmo no departamento jurídico da Prefeitura. “Juridicamente, sabemos que o efeito atinge apenas as entidades envolvidas, mas como há dúvidas sobre isso, decidimos pedir esclarecimentos antes de protocolar recurso de cassação do documento”, disse o procurador-jurídico do município, Joviano Mendes. A Prefeitura programa recorrer da decisão na semana que vem.

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