“Considero minhas obras como cartas que escrevi à Posteridade, sem esperar resposta”. O reconhecimento ao talento e à importância do conjunto da obra de um dos maiores compositores brasileiros veio e o teimoso Heitor Villa-Lobos, se estivesse vivo, teria de admitir que estava enganado.
Prova disso é a apresentação da Emim (Escola Municipal de Iniciação Musical) que acontece hoje e segunda-feira, às 20 horas, no Teatro Municipal, com entrada gratuita. Os 200 alunos da Escola passaram o ano estudando a vida e a obra de Villa-Lobos e executam obras do compositor, de Johann Sebastian Bach - grande influência de Villa-Lobos - e músicas do folclore popular. As composições mais famosas de Villa-Lobos, O Trenzinho do Caipira e Bachianas nº5, estão no repertório além de clássicos infantis como Fui no Itororó e Sambalelê.
As professoras da Emim Ana Paula Leite, Elissabete Rodrigues, Isamara Chagas, Janeluci Oliveira, Laura Anschau, Márcia Crizol, Márcia Kuri, Renata Chioca e Rosemeire Costa iniciaram o trabalho com as crianças, de 8 a 16 anos, em março com a exposição itinerante sobre o compositor, com fotos e objetos que vieram do Museu Villa-Lobos, no Rio de Janeiro.
Desde então, os alunos passaram a pesquisar a história do músico. A personalidade forte e o charuto inseparável foram as características de Villa-Lobos que mais impressionaram. “Quando eu pesquisei sobre a vida dele, descobri que ele era muito teimoso e não gostava de fazer lição de casa. Eu gostei muito de conhecer as músicas dele, são difíceis mas eu gosto”, contou Letícia Póli Avelar, 9 anos, aluna desde o ano passado da Emim.
Isabela de Andrade Barbosa, 9, disse que Villa-Lobos é uma pessoa muito interessante. “É uma pena que ele já tenha morrido, adoro as músicas dele, são muito criativas”.
Para a regente Márcia Kuri, o trabalho do compositor é muito importante para a formação musical. “Ele preparou guias práticos para canto, piano e violão com músicas do folclore infantil para ser utilizados na escola. Além disso ele preparou profissionais especializados para dar aulas de música. Hoje não existe esse tipo de profissional”.
Apesar do perfil autoritário e ufanista, a obra do compositor é referência nos dias de hoje para o ensino musical. Para ele, o canto orfeônico, como Villa chamava o canto a três ou quatro vozes, tinha o poder de integrar o indivíduo no patrimônio social da Pátria. “É a solução lógica para o problema da educação musical nas escolas, não somente na formação da consciência musical, mas também como um fator de orgulho cívico e disciplina social”.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.