Passeio ao supermercado


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Outro dia uma pesquisa feita através da Internet pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) mostrava que 60% dos brasileiros vão ao mercado quatro vezes ou mais por mês. Apostando nesses números, os supermercados incrementaram o espaço com quiosques de cafezinho, restaurantes, drogarias. Também investiram em conforto, comodidade e estilo, com escadas rolantes e seus corredores feitos de estantes abarrotadas de produtos e gôndolas com promoções. Atualmente, as compras semanais passaram a ser um lazer familiar. Há trinta anos, ninguém pensava em convidar a mulher, os filhos e a sogra para dar uma volta no mercado, e hoje, no entanto, isso virou rotina. Domingo à noite, por exemplo, é possível encontrar casais e famílias inteiras andando nos mercados de Franca, distraindo-se como se estivessem num parque. Pensei isso enquanto andava em um supermercado - passeando também - numa noite de domingo, junto com minha esposa. Pode, pensei, um supermercado ficar aberto a essa hora? Pode, continuei, alguém se distrair olhando tipos de salame, de queijo e de vinho? Pode, sim. Supermercados não fecham mais aos domingos e hoje ninguém precisa mais estocar produtos em casa por causa da alta dos preços. Sempre é hora de gastar o tempo com artigos de consumo e de comprar alguma coisa. Súbito, me imaginei em Franca, menino de dez anos de idade. Lembrei-me que uma ou outra vez fui comprar querosene no armazém da General Osório, do Sebastião Isaac. É isso mesmo, querosene. A vovó Anita Maranha tinha um pequeno fogareiro que colocava em cima da mesa da cozinha e sempre precisava acendê-lo para esquentar nem sei o quê. Na época, a rua General Osório era conhecida também como rua dos bondes. Eu saia pela rua, carregando uma garrafa vazia e caminhava até a esquina. O armazém tinha diversas portas, prateleiras altas de madeira escura e um balcão com tampo de granito. Nos fundos, um depósito com sacos de 50 quilos com arroz, feijão, milho, farinha... Sobre o balcão, uma pequena balança Filizola vermelha, onde os saquinhos de papéis eram pesados com a mercadoria. Na quantia que a pessoa pedia. De trás do balcão saia o seu Sebastião Isaac (dono do armazém), que pegava a garrafa e levava-a até o tonel de querosene. Ele enchia a garrafa, anotava a compra no livro dele e na caderneta da minha avó e lá voltava eu, cuidadoso, com o ‘produto inflamável’ nas mãos. Era um mundo simples, aquele. Os armazéns eram pouco iluminados, era pequena a variedade de produtos se comparados aos supermercados de hoje e sempre havia homens bebendo cachaça e petiscando mortadela no balcão. Recordo-me também do armazém do senhor Abrahão Facury, na Voluntários da Franca. Fazia concorrência, na Estação, com o armazém do Sebastião Isaac. O leitor pode achar que escorreguei na nostalgia, mas não é nada disso. Lembrei, apenas, dessa cena antiga e encontrei o menino que eu fui. O garoto que hoje me constitui e é um dos alicerces da minha vida. Afinal, é esse menino que me faz achar graça num supermercado aberto numa noite de domingo e me leva a escolher umas caixas de morangos que vou abrir, certo de que estamos num mundo onde as frutas não alimentam apenas o corpo, mas a alma também. Alimentam e nos transportam àquele mundo singelo que um dia meus olhos infantis descortinaram. Um mundo que perdi, mas subitamente recupero, numa noite chuvosa de primavera, passeando pelos corredores de um supermercado, como se estivesse num jardim. POSITIVO Matar no trânsito sob efeito de álcool ou outras drogas terá pena de prisão. Essa é uma das propostas a serem apresentadas em regime de urgência neste mês de novembro pela Frente Parlamentar do Trânsito Seguro na Câmara dos Deputados. O objetivo é tornar mais rigoroso o Código de Trânsito Brasileiro. A mudança na legislação foi anunciada na semana passada durante o lançamento da campanha Os dez mandamentos do trânsito seguro, promovida pela frente parlamentar e pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Aleluia! NEGATIVO Não pretendo que nossos comunicadores de rádio sejam virtuosos na língua pátria ou na cultura geral. O problema é o exagero no desrespeito dessas regras fundamentais da comunicação. Tem gente que nasceu jurando ódio mortal à concordância de gênero e número. Outros, querendo mostrar cultura, misturam alhos com bugalhos como o companheirinho que insistia no microfone: ‘Pois é, a demanda é maior que a procura’. Ora, só falta dizer que meia dúzia é maior que seis. Certamente queria dizer que ‘a demanda está maior que a oferta’. Demandar já é procurar. Não se exige perfeição da língua pátria, mas um feijãozinho com arroz até que faz bem. Afinal, todo mundo erra, mas o erro maior é não procurar evitá-lo. PRODUTIVIDADE Uma mulher casou e teve 13 filhos. O marido morreu, ela casou de novo e teve mais sete filhos. Seu novo marido também faleceu, ela casou e teve mais cinco filhos. Finalmente, morreu. Ao lado do caixão, o padre rezou pela alma da mulher, que levou tão a sério o ‘crescei e multiplicai-vos’. - Senhor, eles estão finalmente juntos, discursou o religioso. Discretamente, um vizinho perguntou para um amigo: - Você acha que ele se referia ao primeiro, ao segundo ou ao terceiro marido? - Nada disso - disse o outro - Eu acho que o padre falou dos joelhos dela. CIRCULA NA INTERNET E eu que pensava estar morrendo por causa da cachaça e da cerveja... No entanto... Era o Leite!!!

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