A favor dos delegados


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Não tenho receio algum em me posicionar sobre temas polêmicos e respeito, como democrata, tanto os que se posicionam quanto os que preferem o silêncio. A reivindicação dos delegados no que concerne ao reconhecimento da profissão como carreira jurídica é mais do que justa. A correção de salário será conseqüência lógica de tal reconhecimento. O que, me parece, precisa de uma ampla discussão é o direito que reivindicam, de prender por até 48 horas sem precisar de mandado judicial. Igualmente, expedirem eles próprios mandados de busca e terem livre acesso a bases de dados empresariais. A autorização judicial para estes casos serve, em última análise, como garantia constitucional do cidadão. (...) O delegado, por lidar com um dos maiores bens do cidadão – a liberdade – merece sim, condições dignas de trabalho e salário justo e digno. Quero fazer um paralelo, no entanto, com os salários dos médicos. Eles também cuidam de outro dos maiores bens do indivíduo – a vida – e estão, também, sem salários dignos e sem condições de trabalho. Poderíamos ainda lembrar dos professores, dos policiais militares e de tantas outras atividades de salários aviltados e talvez cheguemos à conclusão de que em casa que falta pão, todos gritam e todos têm razão. Talvez quem grite mais receba a maior fatia. Os que silenciam, calados continuarão. Éder Brazão é leitor do Comércio da Franca

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