O município de Franca não terá mais para onde crescer até 2010. As regiões urbanas periféricas chegaram ao seu limite e, dentro desse prazo, só restarão vazios urbanos dentro dos bairros e muitos deles não estão disponíveis para loteamento. De acordo com o presidente da Prohab (Habitação Popular de Franca), Vanderlei Tristão, o “Tico”, as opções só serão duas: a verticalização, que foge à tradição da cidade, ou a implantação do imposto progressivo nas áreas aina vagas.
Segundo Tico, os quatro extremos da cidade estão no limite. As poucas áreas restantes estão concentradas na zona oeste, proximidades do Jardim Pulicano. Há possibilidade de implantação de até cinco novos loteamentos na região, todos já em construção. “Com os novos bairros acaba tudo, porque para o lado do Distrito Industrial a cidade não pode mais avançar”, disse.
Na zona sul, o Jardim Aeroporto III encostou em Patrocínio Paulista. A distância do bairro até a divisa é de cinco quilômetros, mas a área é acidentada e não permite a realização de loteamentos. No extremo norte da cidade, do último bairro, o Jardim Paineiras, é possível avistar a divisa de município com Cristais Paulista. A distância não ultrapassa dois quilômetros de área verde e a legislação ambiental inviabiliza um novo bairro neste espaço.
O problema da zona leste é outro. A distância até a cidade mais próxima, Claraval (MG) chega a 15 quilômetros, mas todo este percurso é de preservação ambiental e não pode ser loteado para fins residenciais. “Aquele espaço só pode ser utilizado para chácaras de lazer, com cinco mil metros quadrados, para garantir a preservação, o que encarece o local e inviabiliza em termos de custos”, afirmou Tristão.
Uma das saídas viáveis para não inibir o crescimento da cidade, a verticalização, de acordo com Tristão, esbarra em uma tradição do município, onde a maioria das pessoas prefere morar em casas do que em apartamentos. Essa filosofia teria começado nos anos 70, após os incêndios nos edifícios Joelma e Andraus, ambos em São Paulo, que causaram centenas de mortes. “O prefeito da época, Maurício Sandoval Ribeiro, ficou preocupado com a ocorrência de tragédias em Franca, que não tinha a mínima estrutura para abrigar prédios de 15, 20 andares”, disse. “Assim, ele apresentou uma lei que inibia o aparecimento de prédios e a cidade cresceu horizontalmente”.
COMPARAÇÃO
Para se ter idéia do que esse processo representou no crescimento de Franca, de norte a sul a cidade tem mais de 22 quilômetros e de leste a oeste são outros 23. Isso para uma população de 328 mil habitantes. Na média, Franca tem 540 habitantes para cada quilômetro quadrado.
Já Ribeirão Preto, que tem a cultura da verticalização, tem quase o dobro de habitantes que Franca, em uma mancha urbana pouco maior, em torno de 30 quilômetros entre seus pontos extremos. A diferença fica na média. A capital da cana tem 860 habitantes por quilômetro quadrado. “Para uma população como a de Franca, é muito longe uma distância dessas. Além disso, encarece a infra-estrutura e os setores de serviços da Prefeitura.
Ribeirão não é caso único. Jundiaí, que tem praticamente a mesma população de Franca, também registra média bem maior: são 807. Americana, com menos de 200 mil habitantes, e Limeira, com 250 mil, também registram médias maiores: 1,5 mil e 481 habitantes por quilômetro quadrado, respectivamente.
Colaborou Eduardo Schiavoni
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