Brasil 2007 vs. Brasil 1920


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O projeto “Redescobrindo o Brasil”, dentro do ciclo de palestras do Projeto Brasil, discutiu esta semana as semelhanças entre o período entre-guerras e o quadro financeiro e político atual. Há paralelos muitíssimo interessantes entre ambos os momentos. Professor da PUC-SP, Luiz Moraes de Niemayer Neto mostra que no início do século o padrão ouro garantia certo equilíbrio entre as moedas. A única região do planeta submetida a movimentos intensos de especulação cambial era a América Latina, seja no período de 1920/1925 - em que havia flutuação cambial - ou no período 1926/1929 - quando se retornou ao padrão ouro. Assim como no momento atual, as exportações de café haviam atingido o auge. E havia uma presença maciça do que ele chama de “recursos anormais”, capital especulativo ou “hot money”. A resposta do governo foi montar em cima de reservas cambiais substanciais, as maiores entre países em desenvolvimento. Viraram pó em pouquíssimo tempo. A América Latina entrou em crise em 1928, sete ou oito meses antes do crack da Bolsa de Nova York. A primeira atitude do governo foi estatizar a dívida externa privada, com o Instituto Paulista do Café assumindo as dívidas da lavoura e, em 1930, repassando para o governo federal. Até a década de 1910, a maior parte da dívida externa brasileira era em ações de ferrovias ou empréstimos para Estados e País. Nos anos 20 - como agora - floresceu o mercado de títulos, que passaram a ser vendidos para investidores individuais norte-americanos. Em 1929, havia 1,5 milhão de investidores americanos com títulos brasileiros. Com a quebra do País, só em 1994 o Brasil voltaria a operar no mercado de títulos americano. Professor da Unicamp, Frederico Mazzucchelli vê outras similaridades entre os dois períodos. Com a saída da Primeira Guerra, a influência do capital financeiro era tamanha que o J.P.Morgan participou da estabilização da França e da Alemanha. Só com a eleição de Franklin Delano Roosevelt houve o enfrentamento do poder financeiro pelo Estado. O mundo foi chacoalhado por um gigantesco movimento especulativo dos financistas americanos que, primeiro, inundaram a Alemanha, depois e Ásia e outras regiões. Quando ocorreu a contração de crédito, tudo explodiu. Agora, Mazzucchelli julga que a crise do “subprime” é apenas a ponta do iceberg. Embora os EUA continuarão potência, sua força é nitidamente inferior à da saída da Segunda Guerra. Logo, sua capacidade de exercer a regulação mundial é menor. Há uma crise do dólar mais que anunciada. A rivalidade entre países começa a se acirrar, embora o desfecho não será sangrento. Mas como os EUA reagirão ao declínio do dólar? Nos anos 70 reagiu desvinculando do padrão-ouro e, depois, com o choque de juros de 1979. Para Jorge Alano, da PUC-SP, até o fim dos anos 80 o país conviveu com taxas de juros negativa. Quando o ciclo financeiro é retomado, a partir do Real, volta a conviver com taxas reais altíssimas. A hora da verdade chegará quando a valorização do Real bater no teto, mudando o comportamento dos capitais de curto prazo. INDÚSTRIA A produção industrial registrou queda de 0,5% em setembro na comparação com agosto. Na avaliação do IBGE, o resultado representa acomodação após a expansão de 1,3% em agosto. Segundo Isabella Nunes, economista do IBGE, um dos fatores responsáveis pelo recuo da produção foi o menor número de dias úteis. Em setembro, foram 19 dias úteis, contra 23 em agosto. Na comparação com setembro de 2006, a indústria registrou alta de 5,6%. A queda de 3,1% na produção de veículos automotores em setembro na comparação com agosto exerceu o maior impacto negativo. Nos quatro meses anteriores, essa atividade havia acumulado alta de 12,7%. Outros elementos também contribuíram para o recuo, como a parada técnica de uma grande empresa do setor de celulose (Aracruz) e a queda de 3% na produção de outros produtos químicos. Mesmo com o ritmo mais lento da produção industrial, os bens de capital registraram alta de 1,4%. Segundo Nunes, informática e equipamentos ligados à telefonia celular são alguns dos principais destaques nesse segmento. No ano, a produção de máquinas e equipamentos lidera a expansão industrial, com alta de 18%. Na comparação do 3º trimestre com igual período de 2006, alguns bens de capital ganharam fôlego, como os destinados à agricultura (71,7%), transporte (26,8%), energia (30,5%) e construção (26,7%). RESERVAS As reservas internacionais do País atingiram a marca histórica dos US$ 170,601 bilhões no dia 5. No início do ano, as mesmas reservas eram de US$ 86,439 bilhões. Alguns bancos já projetaram que as reservas podem chegar a US$ 180 bilhões no final deste ano. Somente em outubro, o nível das reservas saltou de US$ 162,831 bilhões para US$ 167,867 bilhões. Desde o início do governo Lula, as reservas internacionais tiveram uma variação de 353,10%. Como termo de comparação, o País com as maiores reservas em moeda estrangeira é a China, com R$ 1,43 trilhão, seguido por Japão, Rússia, Taiwan e Índia. As reservas internacionais compreendem depósitos, títulos, posições de reserva no FMI (Fundo Monetário Internacional), entre outros ativos financeiros. Refletem os ingressos de recursos por meio de exportações, aplicações financeiras e também as compras de dólares pelo BC.

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