O médico concursado da rede municipal WGB, 33, suspeito de envolvimento com drogas, foi suspenso por tempo indeterminado pela Prefeitura de Franca. Ele está impedido de trabalhar até que a divisão de auditoria interna conclua o processo disciplinar aberto para avaliar sua conduta. Em pouco mais de um ano, o profissional se envolveu em três graves ocorrências motivadas por entorpecentes e vinha trabalhando normalmente. A mais recente se deu durante o fim de semana prolongado. Segundo a polícia, ele chegou a ser mantido como refém por traficantes em uma boca-de-fumo no Jardim Guanabara. Só foi liberado após o pagamento de uma dívida de R$ 150. Mesmo diante do teor das acusações, o CRM (Conselho Regional de Medicina), em mais um caso, preferiu se calar.
O médico trabalha no PS “Doutor Janjão” e na Unidade Básica de Saúde do Jardim Aeroporto. No ano passado, chegou a ser afastado do serviço acusado de trabalhar drogado. Há um mês, um homem tentou matá-lo na UBS também por causa de drogas.
A gota d’água se deu no feriado de Finados. Na noite de quinta-feira, saiu dizendo que iria trabalhar e foi direto para um ponto de venda de drogas na Rua Pascoal Bombicino. WGB ficou na casa e usou crack até a madrugada. Fumou a droga e queimou todo o dinheiro. Como não teve condições de pagar, foi impedido de deixar o imóvel.
Desesperado, ligou para a namorada, uma enfermeira da rede municipal, e lhe pediu R$ 50. O dinheiro deveria ser entregue a um garoto do lado de fora da casa. A mulher fez o combinado, mas ele não foi solto. Uma hora depois, o médico voltou a ligar para a namorada e disse que os traficantes estavam exigindo mais R$ 100. Ela voltou à boca-de-fumo e deu o dinheiro para o mesmo menino. WGB foi solto em seguida.
O susto não foi suficiente para afastá-lo do vício. No dia seguinte, o médico voltou à casa do traficante conhecido como “Bim” e fumou mais crack. Ligou para a namorada e pediu para buscá-lo e para levar a polícia, pois estaria sendo ameaçado. A polícia acompa-nhou a enfermeira até o local, mas não havia mais ninguém, apenas o médico, que foi embora com a namorada. Alguns suspeitos foram detidos nas proximidades, sendo liberados em seguida.
Como o caso teve grande repercussão e consta de boletim de ocorrência, ontem, o prefeito Sidnei Rocha decidiu assinar a portaria 199, determinando a suspensão preventiva do médico, sem vencimentos, até o fim do processo administrativo. O prazo para apuração é de 60 dias, prorrogáveis por mais 60. “A tendência é de que seja exonerado, pois não tem mais a confiança do empregador. Não podemos demiti-lo só por ser usuário de drogas, mas pelos atos que desabonem o vínculo empregatício”, disse o secretário de Governo, Odair Tristão. O secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, classificou como graves as acusações. “Ele faltava muito, agora até entendemos o porquê, mas nunca tivemos reclamações de usuários contra ele”. O médico e sua namorada não foram encontrados para comentar o assunto.
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