Eles estão por toda a parte da cidade. Basta prestar atenção e dar uma volta por Franca que não será difícil encontrá-los nas lojas, shoppings, universidades, escolas e em praças. O ponto de encontro de todas as tardes é no Centro, na Praça Nossa Senhora da Conceição, por volta das 18 horas. Franja caída no rosto, piercing na boca, colar de bolinhas, gravatinhas e munhequeira. São os apetrechos de uma tribo de jovens que ganha adeptos em Franca: os emos.
O nome da tribo está diretamente ligado à música. Deriva da expressão emotional hardcore, um estilo parecido com o punk e mescla batidas de rock com letras bem melosas. Os membros dessa tribo, normalmente, têm entre 12 e 20 anos, andam sempre juntos, são depressivos, expressam abertamente suas emoções e praticam a tolerância sexual, ou seja, para eles, homens e mulheres podem se relacionar com pessoas do mesmo sexo sem nenhum problema.
Além disso, eles também possuem um gosto particular na hora de escolherem as roupas para compor o visual: preferem camisetas pretas estampadas com desenhos infantis, usam maquiagem forte, cabelos coloridos e esmalte preto. Costumam sempre sofrer por um amor platônico e choram bastante, às vezes, até sem motivo.
Outra característica deste grupo é que geralmente eles escrevem sempre alternando o tamanho das letras, ora maiúsculas, ora minúsculas.
Fã de NX Zero, Fresno e The Distiller’s, a estudante Malu Paulina, 18, é emo desde os 13 anos. Sensível, ela defende a bandeira do “paz e amor”. Com voz calma e pausada, a jovem não tem dificuldades em assumir a personalidade. “Não vejo nenhum problema em ser emo. Gosto do meu estilo de vida”. Segundo ela, muitas pessoas hoje sentem receio de assumir o perfil com medo de sofrer retaliação. “Rola muito preconceito. As pessoas acham que quem é emo é gay. O que não é necessariamente verdade. O que acontece é que quem faz parte deste grupo vive uma busca constante pelo amor entre as pessoas”.
A psicóloga Renata Fúccio concorda com Malu. E este é, segundo ela, justamente o ponto negativo de ser emo. “O mundo não é só de amor. Ninguém é capaz de ser amado por todos. E, como os emos não reconhecem isso, eles acabam sofrendo”. Além disso, pelo fato deste grupo mesclar roupas pretas com desenhos infantis (tipo Pato Donald, Hello Kitty, entre outros), acabam prejudicando a própria imagem. “É difícil imaginar que uma pessoa que demonstra ter um comportamento tão infantil como este tenha condições de ser responsável pelos seus atos no futuro”, disse.
O estudante Fabrício Ponce, 16, se identifica com essa tribo. “Gosto de usar roupa preta e passar maquiagem forte no rosto”. Mas para ele, ser emo é, acima de tudo, um estilo de música. “Aquele rock meloso, calmo, com letras bem românticas são as minhas preferidas porque eu choro muito”.
Segundo a psicóloga Gisele Pinho Bittar, os jovens hoje estão buscando a sua identidade. Por isso criam tribos e estilos. “Se antes eles se espelhavam no comportamento dos pais, hoje isso não acontece mais. Muito pelo contrário. Os adolescentes estão procurando ficar cada vez mais independentes para construírem a própria identidade. Daí surgem os grupos como o dos emos”.
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