Há mais de 50 anos nós morávamos numa fazenda à beira do rio Grande, no município de Ibiraci (MG) como colonos. Num certo dia, meu pai sentiu fortes dores e após tomar todos os remédios caseiros sem resultados, minha mãe e outros parentes o embarcaram numa jardineira para Franca – Ibiraci não tinha, naquele tempo, recursos de saúde – e o levaram à Santa Casa de Franca. Meu pai foi atendido imediatamente. Apesar não existir a tecnologia de hoje, os médicos constataram em segundos que ele tinha uma inflamação no apêndice e, em minutos, o levaram para a sala cirúrgica. Em pouco tempo, lá estava meu pai trabalhando alegremente nos cafezais. Naquela época não havia o SUS e os médicos não perguntaram se meu pai tinha ou não o dinheiro para pagar o atendimento. O interesse era mesmo o de salvar a vida dele. Naquele tempo o povo era atendido pelos doutores João Marciano, Thomaz Novelino, Alonso, Jarbas Spinelli, Cirilo Barcelos, Valeriano Gomes (também professor de Latim) e outros que no momento não me recordo. Esses médicos davam muito mais valor à vida de seus pacientes do que no dinheiro. É triste saber que apesar de todos os avanços da Medicina, um jovem venha a morrer de inflamação do apêndice, numa cidade com inúmeros recursos como Franca (leia em http://www.comerciodafranca.com.br/mate-ria.php?id=22617). Seria isso negligência ou in-com-pe-tên-cia?
Sebastião Gomes Rodrigues
é leitor do Comércio da Franca
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