Alfredo Palermo
especial para o Comércio
O Comércio da Franca publicou no dia 27, no caderno Brasil, algo surpreendente: uma manchete que, pela sua importância, deveria ter sido escolhida também para todos os jornais. Essa manchete significa a iminência de um assalto à democracia constitucional do País. “Base de Lula já discute 3º mandato”. A iminência do assalto vem explicada na reportagem do jornalista Sílvio Navarro, de Brasília, que inicia seu artigo com estas palavras: “A três anos da eleição presidencial, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiram pela primeira vez uma movimentação no Congresso para tentar emplacar uma emenda à Constituição que viabilize um terceiro mandato ao País em 2010”.
Trata-se do assunto que já começa a ser comentado no Congresso, conforme relata o bem informado Correio Brasiliense, que registrou os primeiros movimentos, reproduzindo palavras de dois parlamentares ativos no sentido das novidades, os deputados Carlos Wilson e Devanir Ribeiro. E conhecendo as características do clima aventureiro de grande número de deputados, na esteira de proposições que apóiam Lula, não é difícil que, resolvido o problema de Renan e a Lei do CPMF os partidários do PT, PMDB e outros da base do governo apresentem uma PEC (Projeto de Emenda Constitucional), visando com um “plebiscito” a) reeleger Lula; b) dar-lhe mandato de cinco anos; c) encurtar o mandato dos senadores para cinco anos; d) permitir que as inovações abranjam os Estados e os Municípios.
Como os leitores podem verificar, planeja-se uma revolução política que, se tentada, poderá ocasionar as mais graves conseqüências. Quando indagado sobre uma possível “reeleição”, Lula sempre respondia que não a desejava, mas que gostaria que o mandato presidencial fosse de cinco, e não de quatro anos. Isso lhe parecia “uma idéia construtiva”. No entanto, os cidadãos, que já enfrentaram os “mensaleiros”, os corruptos das ambulâncias, as propinas nas obras públicas, e outras malversações, temem que, ao valer-se desse grande instituto que é o plebiscito, possam os parlamentares ambiciosos e insensatos transformá-lo em aventura que macule os ideais de nossa democracia.
A opinião pública deve estar alerta contra todos os planos de mistificação de institutos democráticos e evitar a iminência de um assalto à consciência política do povo.
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