Desde o ano de 2000, com a queda de quase 40% nas coberturas dos planos de saúde na cidade, o volume de atendimentos na rede pública de saúde vem aumentando. Um número cada vez maior de ex-conveniados tem de abrir mão de algumas comodidades, como agendar consultas por telefone, para enfrentar filas e garantir uma vaga pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
É o caso da pespontadeira Claudete Rangel, 42. Ela trabalhou durante 11 meses numa indústria de calçados e pagava R$ 58 no plano de saúde da Unimed. Sob a justificativa de contenção de gastos, ela foi demitida no início do mês e perdeu o desconto no valor integral do plano.
Claudete já encontrou outro emprego, mas este não oferece o benefício. Com medo de ter de se consultar pelo SUS, ela apertou o orçamento, pagou por mais 30 dias o plano de saúde e aproveitou para fazer um check-up. Até agora ela já consultou com médicos de três especialidades diferentes. “Teria que ir até a UBS (Unidade Básica de Saúde) para marcar consulta, depois para consultar. Sem contar as filas. Fui paciente muito tempo da rede pública e sei bem como é. Paguei mais este mês e fiz um monte de consultas porque sei que a partir de dezembro não terei opção. Vou cancelar a Unimed e depender da prefeitura mesmo”.
Depois de trabalhar cinco anos como chanfradeira na Democrata, Jucineide Pistori, 35, também convive de perto com esta situação e mesmo com poucas queixas sobre a saúde pública confessa que prefere a estabilidade dos planos de saúde particulares. Quando empregada, ela e a filha eram conveniadas. “Sempre fui bem atendida nos hospitais públicos e minha filha quase não fica doente, mas se tivesse condições voltaria a pagar um plano particular porque lá é tudo bem mais rápido”.
Mas até quem nunca trabalhou no setor calçadista precisou escolher. A dona-de-casa Inês Junqueira, 61, que durante mais ou menos dez anos pagou planos de saúde para os dois filhos e quatro netos, precisou enxugar o orçamento e não pode mais ajudar os familiares. Agora, a pensão que recebe do marido, desde que ficou viúva, dá para pagar apenas um plano, o seu. “Fiquei apertada, aí não consegui mais pagar para todo mundo. Do meu plano eu não abro mão porque acho complicado depender do SUS com a minha idade”.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.