Planos de saúde perdem quase 70 mil clientes


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Segundo dados da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), mais de 66 mil pessoas em Franca abandonaram os planos de saúde nos últimos sete anos. Em 2000, seis em cada dez habitantes da cidade tinham algum tipo de cobertura particular quando o assunto era tratamento de saúde. Hoje esse número não passa de três. Para as operadoras, a evasão de clientes é conseqüência direta das crises enfrentadas pelo setor calçadista na última década. Há sete anos, 174 mil francanos tinham plano particular, a maior parte vinculada a empresas. Com as sucessivas crises provocadas pelas oscilações constantes da moeda americana e pela concorrência cada vez maior dos produtos chineses, muitas dessas fábricas acabaram encerrando as atividades e junto os planos de Saúde dos funcionários. Só nos últimos dois anos, três empresas grandes passaram por isso: Samello, Sândalo e Pé-de-Ferro. O resultado é uma redução de 37% no número de segurados dos planos particulares. Hoje não chega a 110 mil pessoas. Segundo o departamento comercial da Unimed/Franca, a rede possui hoje cerca de 74 mil clientes. Perdeu quase 10% dos conveniados desde 2000, quando o total de usuários era de 82 mil. No Hospital Regional, que afirma ter hoje cerca de 44 mil usuários, a queda chegou a 7,37%. Segundo dados da ANS, até junho deste ano, a Unimed tinha 62,7 mil conveniados e o Regional, 43 mil. Para as empresas, o motivo das desistências é a instabilidade econômica das indústrias de calçado. “Os planos de saúde empresariais representam 76% dos nossos clientes e esse percentual era ainda maior. Com a crise, muita gente perdeu o emprego e parte do custeio dos planos. Assim, não puderam mais pagar”, disse o diretor de mercado da Unimed/Franca, Otto Cezar Barbosa Júnior. No Regional, o cenário se repete. Os planos destinados a pessoas jurídicas também lideram o serviço com 75% das adesões. Mas não são apenas as grandes operadoras de saúde que sofreram redução. A Cia Hospitalar também alega ter perdido clientes. “Em 2003 e 2004, a gente fechava em média 200 novos planos por mês, hoje essa média fica entre 80 e 90. Se o desemprego não diminuir, vai ficar ainda pior”, disse o diretor Cícero de Oliveira. Em Franca, ainda existem pelo menos outras duas operadoras de planos de saúde, como a Clínica de Todos e o Iamspe (Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual). As duas não têm dados específicos registrados na ANS. Como os planos empresariais correspondem a grande parte da clientela das operadoras, elas resolveram atacar outros setores para evitar mais prejuízos. “O perfil de Franca está mudando e a gente não pode ficar para trás. Percebemos que uma pessoa desempregada geralmente abre seu próprio negócio, por isso passamos a apostar no comércio e nas pequenas e médias empresas. O lucro não é o mesmo, mas, como estes setores estão crescendo, vale a pena investir”, disse o diretor técnico do setor de planos de saúde do Hospital Regional, Carmilon Rezende. SUS Sem condições para pagar um plano de saúde, que custa em média R$ 100, muitas pessoas passaram a ser atendidas pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O fluxo de atendimentos no setor público disparou. A Secretaria Municipal de Saúde estima que, até agora, mais de 70 mil ex-conveniados migraram para a rede pública. “A perda dos convênios foi de 66 mil até junho mas, se levarmos em conta os prontuários abertos nestes últimos meses, esse número já está em torno de 72 mil”, disse o secretário Alexandre Ferreira. Segundo ele, mesmo com o aumento considerável, o SUS tem capacidade para atender a nova demanda. “Isso não é problema. O serviço passou por reformulações de normas, mudança de postura e de responsabilidades. Estamos preparados para atender todos os usuários”. A situação preocupa todos os ex-conveniados que sofrem só de imaginar que terão de enfrentar filas e perder dias de serviço para agendar suas consultas.

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