Viciado em crack, um médico do Pronto-socorro “Dr Janjão” viveu horas de alucinação misturadas a momentos de muita tensão num ponto de tráfico de drogas no Jardim Guanabara. Por duas vezes, o profissional da saúde esteve na casa de um traficante onde usou entorpecentes e foi mantido como refém até que sua dívida com o tráfico fosse acertada. A namorada do médico, uma enfermeira, foi quem pagou seu resgate.
Noite de quinta-feira. Aproveitando sua folga do pronto-socorro, o médico WGB, 33, saiu de sua casa e foi direto para uma “boca-de-fumo” na Rua Pascoal Bombicino, Jardim Guanabara. Viciado em crack, segundo a polícia, o doutor combinou em usar o entorpecente com outros 20 viciados no imóvel.
A residência escolhida para a “roda de crack” é utilizada por um traficante conhecido como “Bim”, que comanda o tráfico de drogas no local, segundo informações da Polícia Militar. WGB ficou na casa e usou crack até a madrugada. Após gastar todo o dinheiro que tinha no bolso, ainda permaneceu fumando drogas e se endividando. Como não tinha como pagar o que havia consumido, o casal que comanda a venda de drogas no local impediu sua saída.
O médico, apavorado, ligou para a namorada pedindo ajuda e contando que estava como refém de um traficante. Segundo ele, para que pudesse sair, ela teria que se encontrar com um garoto nas proximidades e entregar a ele R$ 50. Enfermeira também da rede pública, a namorada do médico foi até o local combinado e entregou a um garoto, que segundo ela aparenta ter uns 13 anos, o dinheiro. Passados alguns minutos, o menino voltou e disse que os traficantes queriam mais R$ 100, quantia que também foi paga. Só assim o médico foi liberado.
Na noite de sexta-feira, WGB faltou de seu plantão médico no PS “Dr Janjão” e foi novamente para a casa de “Bim”, onde a história voltou a se repetir. “Desta vez, a enfermeira foi com a polícia. Os traficantes, sabendo disso, soltaram o médico e fugiram”, disse o escrivão Rogério Primo, que registrou ocorrência de extorsão mediante seqüestro.
O Comércio procurou o médico no PS “Dr. Janjão” durante a tarde de ontem, mas ele não foi encontrado para dar sua versão dos fatos. O secretário municipal de Saúde, Alexandre Ferreira, também não foi encontrado em seu telefone celular para falar sobre o caso.
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