A jornalista Juliana*, 23, chega do trabalho às 20 horas. Sem pressa, liga o computador e acessa um site especializado em séries. Ela é fã do seriado House. Escolhe o capítulo do dia e coloca o arquivo para baixar. Com banda larga, cada episódio leva, em média, uma hora para ser copiado. Enquanto isso, ela toma banho, faz um jantar e, ao terminar, está pronta para a diversão. Do computador mesmo, acessa o arquivo e começa a assistir à atração, enquanto o download de outro episódio começa.
Ela conheceu o médico Gregory House através de um colega de trabalho com o qual dividia a casa. A convite dele, assistiu a um episódio da série House sem compromisso. Apaixonou-se. Com o colega, pegou os DVDs da primeira temporada da série, que havia sido baixada pela internet.
Hoje, a série, transmitida pelo canal a cabo Universal Channel, encontra-se no 22º episódio da terceira temporada. Baixando os episódios através de sites na internet, Juliana já terminou de assistir aos capítulos deste ano. Prepara-se, agora, para acompanhar o quarto ano da série, que estreou há um mês nos Estados Unidos e deve chegar ao Brasil só em 22 de novembro. “A série é fantástica, e não tenho acesso à TV a cabo para assistir. A internet é a solução”, afirma, sem receio de assumir a prática.
Fernando*, 27, fã da série Heroes, concorda com Julianna. Ele já assistiu à primeira temporada da série, baixada no trabalho por um amigo e distribuída para ao menos 30 colegas. “É mais prático do que assistir na TV, porque você escolhe a hora de acompanhar o programa”.
Assim como Fernando e Juliana, uma legião cada vez maior de pessoas baixam, todos os dias, milhares de episódios de séries, muitas delas ainda inéditas aqui. Os episódios vêm em alta resolução e já legendados. Tudo é feito pela internet, através do trabalho voluntário de aficionados pelos seriados.
O segredo da agilidade é simples: uma rede de colaboradores com milhares de pessoas para captar, traduzir e transportar para sites. Armando* é um dos tradutores. Segundo ele, o seriado é captado por espectadores, que retransmitem, via rede mundial de computadores, a usuários de todo o mundo. Cada país cuida de suas próprias legendas, em um trabalho geralmente gratuito. “Fazemos pelo prazer de compartilhar interesses e paixões”, diz. Assim, um dia após a exibição nos Estados Unidos, o episódio de House já chega ao Brasil pronto para ser assistido por milhares de pessoas. “É muito rápido. As pessoas, hoje, não querem esperar”, diz Armando.
ILEGAL?
As opiniões sobre a legalidade ou não da prática são controversas. O advogado Rodrigo Souza, por exemplo, considera que o download é irregular. “Copiar da internet é ilegal porque, mesmo que gratuita, fere os direitos autorais”, disse.
Executivos de grandes redes de comunicação, por outro lado, manifestaram, em 27 de março, opiniões favoráveis ao download. Em entrevista ao jornal Agora, de São Paulo, Elie Wahaba, gerente Sênior para a América Latina e Caribe da Fox, disse que não é crime baixar episódios disponíveis na internet desde que seja para uso próprio. “As pessoas baixam porque querem assistir antes”. Para ele, o problema, para a Fox, seria a comercialização dos episódios.
Stefania Granito, gerente de Marketing dos canais da Sony, concorda. “Os fãs promovem grupos de discussão na Internet, e isso ajuda na divulgação. Nos sites, eles disponibilizam links para quem quer baixar os capítulos para ver ou rever. Não consideramos que isso seja pirataria porque eles não estão comercializando o programa”.
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