No mês dos feriados, R$ 60 mi deixam de circular em Franca


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Geraldo Ribeiro, proprietário da Opananken, mostra feriados de novembro no calendário: empresa terá expediente no feriado de Finados para dar conta dos pedidos de Natal
Geraldo Ribeiro, proprietário da Opananken, mostra feriados de novembro no calendário: empresa terá expediente no feriado de Finados para dar conta dos pedidos de Natal
Feriado de Finados, 2 de novembro; Proclamação da República, 15 de novembro; Consciência Negra, 20 de novembro - que, por enquanto, está suspenso; Aniversário de Franca, 28 de novembro. Só neste mês, os francanos deverão ter quatro feriados. Hoje é apenas o primeiro deles. Para muitos, as folgas são sinônimo de descanso, mas, para comerciantes e empresários da cidade, significam prejuízo. Eles vivem um dilema: se tiverem expediente, precisam pagar como hora extra, ou seja, 50% a mais que nos dias normais por ser feriado; se permanecerem fechados, deixam de produzir e vender. Numa conta simples, os setores comercial e calçadista acreditam que aproximadamente R$ 16 milhões deixam de circular por dia na cidade. O valor não considera o setor de serviços. O empresário Jorge Donadelli, presidente do Sindifranca, estima que as empresas de calçados deixam de girar/produzir R$ 8,1 milhão por data não trabalhada. “Para calcular, consideramos que a cidade tem 27 mil operários no setor, cada um produz cinco pares por dia e os sapatos são vendidos ao preço médio de R$ 60. O prejuízo seria de mais de R$ 8 milhões por dia”, disse. Os estudos foram feitos com auxílio do economista Hélio Braga. Existem 760 indústrias de calçados em Franca. No setor comercial o valor é semelhante. João Cheade, presidente da Acif (Associação do Comércio e da Indústria de Franca), acredita que a cada dia de feriado, deixam de circular outros R$ 8 milhões nas lojas da cidade. Para driblar a situação, os donos de fábricas e lojistas buscam estratégias, como promoções, publicidade ou mesmo suspensão das folgas. O Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) orienta as fábricas a não trabalharem nas datas comemorativas, mas Geraldo Ribeiro, proprietário da Opananken, decidiu ligar as máquinas nos dias de folga. “Feriados sempre causam traumas nas fábricas, principalmente se forem quatro no mesmo mês e em novembro, quando estamos com produção alta para faturar com o fim de ano”, disse ele. Os cem funcionários da indústria trabalharão hoje. “Se parar a produção, corro o risco de não conseguir entregar os pedidos dos clientes. Prefiro pagar hora extra para os funcionários e perder um pouco do lucro a atrasar as entregas e perder clientes. É um sacrifício necessário”. Geraldo Ribeiro não informou quanto a empresa perde com o funcionamento nos feriados. Cheade, presidente Acif, disse que seria prejudicial trabalhar com quatro folgas no mesmo mês, principalmente com a proximidade do Natal e que o setor comercial não ficará de portas fechadas em todos eles. “Novembro é um dos meses em que o comércio mais vende. As lojas ficarão fechadas nos dias 2 e 15 e abrirão nos dias 20 e 28”. Para Jayme Barbosa, ex-presidente da Acif e proprietário das quatro lojas O Boticário em Franca, outros fatores interferem nas vendas deste mês, como o clima e o fato dos feriados caírem próximos aos fins de semana. “As pessoas aproveitarão para viajar, sim, mas como estamos enfrentando o calor anormal, elas deverão passear em locais com água para se refrescar e não para outras cidades, como Franca. O próximo sábado (dia 3), por exemplo, é uma incógnita para nós”. Jayme calcula que o faturamento da empresa será de 12% a 16% menor por conta dos dias comemorativos. Na expectativa de reverter a situação, decidiu antecipar o lançamento da campanha de Natal 2007 e o fará dia 5 e não no fim do mês. “Na segunda-feira, estaremos com a loja toda decorada de Natal e produtos especiais para incentivar as vendas e aproveitar os dias em que a loja estará aberta”, disse. A rede Magazine Luiza é outra que adotará estratégias para garantir o “aproveitamento máximo de vendas nos dias antecedentes e posteriores aos feriados”. “Teremos promoções e atrativos mais fortes para compensar as datas em que ficaremos de portas fechadas”, disse Matias Taveira, gerente geral da matriz. As cinco lojas da Junques Calçados fizeram acordo com as vendedoras, que não receberão hora extra quando trabalharem nos feriados, mas em banco de horas. “Fizemos esse acordo com as vendedoras e conseguimos reduzir as despesas ao abrirmos em feriados”, disse Vânia Dourado, auxiliar financeira da Junques. Todas as lojas têm 50 funcionários, 40 são vendedoras.

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