Aposentado cria brinquedos a partir do lixo


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O aposentado Francisco Custódio, 65, se agacha para acariciar seu “cachorro” de estimação: o bichinho é feito de materiais recicláveis mas, é tratado como se fosse de verdade
O aposentado Francisco Custódio, 65, se agacha para acariciar seu “cachorro” de estimação: o bichinho é feito de materiais recicláveis mas, é tratado como se fosse de verdade
Pedra sabão, madeira, cabaça, peças de automóveis e até folhas de árvores ganham um novo formato nas mãos do aposentado Francisco Custódio Neto, 64, morador na Vila Santa Cruz. Há dois anos, o francano descobriu que tinha o dom de transformar objetos inutilizados e estragados em brinquedos e peças decorativas. Os mais criativos são os animais feitos de escapamento e molas de carros, os desenhos e caricaturas em pedra sabão e uma imagem de santo de quase um metro feito em madeira. O aposentado nunca fez curso de artesanato. Tudo aconteceu por acaso. Uma de suas filhas fez um balão como trabalho para levar ao teatro e, segundo Francisco, o objeto não ficou com um acabamento muito bom. “Eu fiz outro para ela, e todos gostaram. Após esse dia, tive que fazer dezenas de balões para as amigas dela. Foi aí que eu percebi que tinha uma certa facilidade em esculpir, pintar e criar certas coisas”, disse. Depois do balão, suas criações não se limitaram ao brinquedo pedido pela filha. Em uma conta rápida, o aposentado somou mais de quarenta objetos diferentes de sua autoria. O mais especial para ele é uma imagem de São Francisco que confeccionou em madeira. “Esse foi um dos trabalhos que demorei mais tempo para fazer. Acho que uns dez dias. A madeira era muito dura e tive que ficar olhando o desenho dele em outra imagem enquanto esculpia com uma faquinha. Para pintar, usei tinta esmalte”, lembra. Seu local de trabalho é num quartinho dentro de sua casa e as ferramentas são improvisadas. Francisco não gasta quase nada para fazer determinados objetos. “Em alguns dias da semana, vou ao lixão e encontro vários materiais que, só de olhar, consigo imaginar um animal ou um objeto. Trago para minha casa e começo a construir”, disse. Seu cachorro, por exemplo, tem um corpo feito de butijãozinho de ferro, o focinho é um escapamento de carro e o rabo é de raia de bicicleta. “Esse foi o mais simples, demorei umas duas horas”. Como são vários objetos, eles ficam pendurados e espalhados pela garagem da sua residência. O que é a alegria das crianças. “Elas passam na calçada e adoram. Ficam encantadas com tudo e quando pedem, eu dou”. Francisco não tem interesse em vender seus trabalhos. “Faço por diversão e para passar o tempo. Se alguém quer alguma coisa que tenho capacidade de fazer, é só me mostrar o desenho e me dar o material, que eu dou um jeito”. A maioria dos seus trabalhos são usados como adereços. Mas ele tem um ventilador feito em PVC que parece de verdade. Nele, há um casal de bonequinhos que ficam pedalando na medida que o vento gira as hélices. “As crianças chamam eles de João e Maria”, conclui.

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