Morte é vida


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Como dizia o poeta Vinicius de Moraes, ‘quem sabe a morte, angústia de quem vive’ morrer é um assunto que preocupa a todos, principalmente se o indivíduo se considera um corpo. Se o paradigma conceitual está na matéria, a morte é, mesmo, uma angústia. Como viver uma vida de lutas, realizações, sonhos, esperanças se tudo vai se acabar com a morte? Por isso, o espiritismo traz um novo paradigma para a humanidade. Não somos um corpo que tem um espírito. Somos um espírito vivendo, provisoriamente, num corpo. Assim, a realidade é espiritual. Com este novo conceito, a morte não é a terrível foice que decepa a vida. É antes de tudo, uma porta para a continuidade da vida. Aliás, vida é a manifestação de Deus, e está em toda parte. Diante desta nova visão, a morte, para o espiritismo, não tem a conotação tenebrosa, assustadora, que se costuma atribuir-lhe. Ao contrário, o espiritismo considera a morte uma libertação. Uma volta à vida verdadeira, que é a do espírito. Dizem os espíritos orientadores que a morte varia de pessoa para pessoa e que, ao morrer, nunca estamos sozinhos. Sempre haverá, do lado espiritual, algum parente que nos antecedeu na passagem, ou algum amigo, a nos esperar e a nos ajudar no transe. Conforme recentes pesquisas realizadas nos Estados Unidos, muitos dos que passaram pelos fenômenos de EQM (experiências de quase morte) relatam que viram uma luz, algumas entidades presentes nas suas visões. Dizem, também os espíritos, que o nosso despertar dependerá da nossa vida aqui na terra. O despertar poderá demorar de alguns minutos até alguns anos. É como o acordar de um sono. Até que nos desvencilhemos, de todo, das reminiscências da noite. Ficamos como que num torpor que varia de acordo com nosso estado moral. E para onde vamos, após a morte? Aqui o espiritismo é pródigo em orientações. Não vamos para o céu e nem para o inferno. Até porque céu e inferno são estados da alma. Não vamos para lá, estamos lá, com céu ou com inferno dentro de nós. A doutrina Espírita diz que, no mundo espiritual, vivendo em outra dimensão, vamos para regiões compatíveis com nosso estado perispiritual, isto é, vamos para os lugares que a nossa evolução nos atrair. Será um estado feliz, se trouxermos felicidade em nós. Será de mazelas, se cultivamos as mazelas no nosso dia-a-dia. E, recobrando a integridade da nossa consciência, somos conduzidos às escolas espirituais para revermos nossos conceitos, ao trabalho que somos capazes de realizar, às vivências com pessoas queridas e com aqueles, que de alguma forma, temos alguma pendência para amenizar. Como vemos, a vida terrena é uma cópia da vida espiritual. A morte não faz parte dos planos divinos. A vida sim. Querendo ou não, gostando ou não, continuaremos a viver para sempre, porquanto somos criação de Deus e fomos criados para a eternidade, herdeiros que somos dos Patrimônios Divinos. Encaremos, pois, a morte como uma passagem para a vida verdadeira. Um retorno à verdadeira morada, um reencontro com os nossos queridos que já se foram e que continuam a viver, agora noutra dimensão. FELIPE SALOMÃO é bacharel em Ciências Sociais e membro da diretoria do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)

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