O maior câncer do mundo


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Vemos, no mundo em que vivemos, todos os dias, crianças, jovens e idosos serem mortos em assaltos, vitimadas por bala perdida ou em extensão de seqüestro. E, o pior: a maioria dos matadores é de jovens. Quando ouvimos a palavra câncer, nos vem à mente, uma doença terrível, que na maioria das vezes leva à morte mas, se descoberta a tempo, existe possibilidade de cura. A mesma coisa acontece com as drogas. Nossas crianças e jovens estão cada dia mais envolvidos, falta informação e orientação dos pais, professores e da própria população. Em resultado, o número daqueles que se encaminham para a criminalidade, aumenta. Alguns começam por curiosidade ou por influência de amigos. Outros são vítimas de traficantes, que adotam crianças que procuram meio fácil de se livrarem da miséria, presas fáceis que cheiram tiner ou cola de sapateiro para matar a fome. É claro que a educação é a melhor forma de se combater as drogas, mas o que fazer com aqueles que já estão doentes? Pesquisa recente apontou o tráfico de drogas como principal fator gerador da violência que impera no País. E a dependência química, conforme comprovado pela Organização Mundial da Saúde é uma doença que mata quem usa e àqueles que estão ao redor, verdadeira epidemia para a qual não podemos fechar os olhos. Será que é certo virar as costas e fingir que nada está acontecendo ou se munir de bom senso e menos preconceito para dar uma mão amiga e conseguir que esses jovens saiam do vício? Certamente, que com gestos meu e seu, muitos pais deixem de perder seus filhos e muitos filhos deixem de perder seus pais. Quando vemos alguém na sarjeta e nos desviamos como se aquele alguém fosse um poste ou se tivesse uma doença contagiosa, cometemos um grande engano. Muitas delas querem uma oportunidade mas sozinhas ou sem a alavanca de nossa solidariedade, não vão conseguir. Pensem! Elas não têm família que as abrigue, pois a família está cansada de sofrer. Quem tem um dependente químico se desespera porque não sabe o que fazer para que o doente tome consciência de sua doença. É nesta hora que temos por obrigação ajudar. Chega de hipocrisia. Deixemos de pôr a culpa somente nos órgãos governamentais. Não basta a polícia nas ruas para combater a violência. É preciso que cada uma de nós faça uma parte. Para cada um que volta à sociedade de cara limpa, sem as drogas, outras dezenas deixarão de sofrer! Acorda gente! Vamos deixar o preconceito de lado e ajudar. O tráfico de drogas e o de armas, que matam nossos jovens, só serão combatidos se agirmos. Se o traficante não tiver para quem vender as drogas, deixarão de existir. Isto é um fato e não é ficção, como querem que acreditemos. ELIANA JUSTINO é presidente do Projeto de Restauração de Vidas (PROREAVI)

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