Se para boa parte das pessoas o Dia de Finados é um momento de saudade e de recordar o passado, para outras é hora de incrementar a renda. Além dos comerciantes que aproveitam a data para vender flores, velas e artigos religiosos, os jardineiros que trabalham nos Cemitérios Santo Agostinho e da Saudade são outro grupo que não tem do que reclamar. Nos dias que antecedem Finados, eles trabalham dobrado para deixar o local mais limpo e bonito à espera dos visitantes que chegam nesta sexta-feira.
O prensador aposentado Osmar Domingos Rocha Ramos, 58, é um deles. Além de dar conta da manutenção mensal de 200 túmulos no Cemitério Santo Agostinho, ainda trabalha em pelo menos outras dez sepulturas que passaram a sua responsabilidade nesta semana.
Pela manutenção, ele cobra R$ 15, mas se for para montar o jardim no terreno, o serviço não sai por menos de R$ 60. O lucro é bom, mas o trabalho, Osmar garante, é puxado. “Chego aqui de madrugada, às vezes são 3 horas da manhã e já estou irrigando as plantas. Vou embora só no final do dia”.
Há dez anos, Osmar assumiu essa função. Ele conta que deixava a empresa onde trabalhava como prensador (Amazonas) e ia ao cemitério visitar e cuidar do túmulo de seu pai que acabara de falecer. Como estava prestes a se aposentar, viu na atividade um meio de não ficar parado. “Fui aprendendo com as outras pessoas que trabalhavam aqui. Comecei a ganhar clientes e hoje não deixo esse serviço. Gosto do que faço”.
O aposentando garante que o dinheiro que juntou nesses dez anos ajudou a família a mudar de vida. Com o trabalho, ele conquistou casa própria no Jardim Santa Efigênia, pagou a faculdade de Direito da filha e ainda a presenteou neste ano com um carro zero-quilômetro. “Tenho até umas economias guardadas no banco para eventual emergência”.
Ele não é o único. No Cemitério Santo Agostinho, a cooperativa de jardineiros conta com 42 associados. Cada um tem sua lista de clientes e combina a quantia e maneira de pagamento. O valor médio cobrado pela manutenção das sepulturas é de R$ 15. No Cemitério da Saudade, são apenas 25 “zeladores” de túmulos. E no Cemitério Jardim das Oliveiras, é a administração quem cuida das sepulturas.
O comerciante Carlos Martins Teixeira, 49, tem menos clientes que Osmar, mas a atividade, segundo ele, é apenas um complemento de renda. “Tenho meu comércio no bairro Ana Dorotéia e este serviço aqui que me ajuda nas despesas de casa”.
Carlos é animado. Para ele não tem feriado, sábado e nem domingo. “Se o sol estiver quente tenho que vir irrigar as plantas. Além disso é oportunidade de fazer novos clientes”.
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