“Pedirei ao anjo as asas emprestadas para sobrevoar o meu passado’’. O verso, do poema “O Menino e o Povoado”, de Cândido Portinari (1903-1962), um dos principais artistas do modernismo brasileiro, tem servido de argumento para o traslado dos restos mortais do pintor do Cemitério São João Batista, no Rio, para Brodowski, sua cidade natal.
O professor João Cândido Portinari, filho do artista e diretor do Projeto Portinari, instituição que cuida de seu espólio cultural, não concordava inicialmente com a mudança. “Até então, não havíamos encontrado registros escritos dessa vontade, mas esse verso traduz a minha convicção de que meu pai desejava ser enterrado em sua cidade natal, junto aos seus pais e irmãos’’, diz.
Para a mudança, será construído o Memorial Portinari, com projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer. O memorial deverá incluir um auditório com 500 lugares, uma ala para exposições e será erguido na Fazenda Santa Rosa, onde o pintor nasceu. A idéia é que seja mantido por uma fundação mista, com participação da iniciativa privada, sociedade civil e poder público. A Prefeitura de Brodowski orçou em R$ 7 milhões a execução do projeto, segundo o secretário-executivo do Conselho Municipal de Turismo, Roberto Morando Videira. Os próximos passos serão inserir o projeto na Lei Rouanet e iniciar a captação de recursos.
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