Dar aquele drible, fintar a zaga e, com classe, deslocar o goleiro para um canto e a bola para outro. A torcida vai ao delírio, é gol, tá lá, aos 47 minutos do segundo tempo. Quem nunca sonhou ser jogador de futebol, ter grana e prestígio no mundo do esporte? Pois é, mas para isso é preciso determinação, força de vontade e talento. Nem todos - na verdade, apenas uma pequena minoria - conseguem vencer na carreira.
Para a maioria - como os atletas da Associação Atlética Francana - o começo é muito difícil. Sem estrutura adequada de treinamento nem visibilidade, o salário de um jovem atleta do time principal da Veterana, hoje, não ultrapassa os R$ 500. No caso dos reservas, o caso é ainda pior: alguns juniores ganham uma bolsa-auxílio de R$ 150. Outros não ganham nada e esperam mostrar seu valor para fechar o primeiro contrato profissional.
Para vencer, além de talento, é preciso encarar com responsabilidade a profissão. Não adianta pensar em ir para a balada e madrugar na farra sabendo que, no dia seguinte, o treino começa às 8 horas. Além disso, a cobrança sob o desempenho dos atletas é grande. “Dos recém chegados, com 19 anos, aos veteranos da equipe, com mais de 30, a exigência é a mesma”, disse o preparador físico da Francana, Anderson Gonçalves, 25.
A dedicação não é pequena. Os treinos técnicos e físicos ocorrem de segunda à sexta, sendo que às terças e quintas-feiras a preparação é intensificada com atividades em dois períodos. Durante três horas pela manhã, os jogadores treinam chute a gol, marcação, toque de bola, entre outros. À tarde, eles fazem academia e correm cerca de 200 metros na pista de atletismo do Sesi. Aos sábados, há um treino rápido no Estádio Lancha Filho, o Lanchão, para acertar os últimos detalhes para o jogo que ocorre sempre aos domingos.
Além disso, há um trabalho de acompanhamento psicológico esportivo com os atletas da Francana. Através de um questionário, os jogadores são avaliados pelo preparador físico quanto ao estresse, ansiedade e a motivação no grupo. A avaliação acontece antes e depois das partidas com os 25 jogadores da francana.
Os interessados em ingressar na equipe profissional da Francana, mas não têm idade para isso é necessário, no mínimo, 19 anos, podem fazer parte das categorias iniciantes: Infantil, para atletas de 15 anos, Juvenil de 16 e 17 anos e Júnior, de 18 a 20 anos. O atacante da Francana Crison de Melo Costa, 19, foi revelado na categoria Júnior e há um ano faz parte do time profissional. Segundo ele, acreditar no talento é o “primeiro gol” para quem pretende seguir essa profissão. “Jamais desistir do sonho, pensar grande, ser grande e agir com humildade para aprender cada vez mais. Ter força de vontade para almejar coisas maiores é o segredo para um jogador de sucesso”, diz o jovem, que aparece como titular em boa parte das partidas da Feiticeira.
Para o goleiro Petrônio Vagno Aires, o Branco, o problema da profissão é quando a equipe não vai bem no campeonato, a pressão da torcida aumenta e os bons resultados não aparecem. “Parece que tudo dá errado. Bom é quando os gols saem, surgem as melhores defesas, a torcida comparece ao estádio e o jogador ganha prestígio”.
Quem acredita que é bom de bola e pode fazer bonito defendendo as cores da Veterana, deve procurar o técnico Wantuil Rodrigues na sede do clube para agendar um dia de teste. A Associação Atlética Francana fica na Rua Simão Caleiro, 1408 no Centro.
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