Vendas de longa-vida caem depois do escândalo


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O aposentado Maurino Malta observa o longa-vida em supermercado. Dúvida na hora de levar o produto para casa
O aposentado Maurino Malta observa o longa-vida em supermercado. Dúvida na hora de levar o produto para casa
A fraude na adulteração de leite longa-vida em laticínios de Minas Gerais tem causado rejeição ao produto em Franca. Desde que o escândalo foi revelado na semana passada, as vendas do leite de caixinha, independente da marca, começaram a sofrer redução nos supermercados e padarias da cidade. De dez estabelecimentos consultados, entre grandes, médios e pequenos, todos foram unânimes em dizer que sentiram diferença na comercialização. No Supermercado Granero, da Avenida Moacir Vieira Coelho, a média de vendas era de 200 litros do produto ao dia. Depois da divulgação das irregularidades no processamento do leite, a venda caiu para 170 litros diários. “Os consumidores estão receosos e mesmo não trabalhando com as marcas envolvidas, eles têm deixado de comprar o leite longa-vida”, disse o gerente da unidade, Bento Antônio da Fonseca. Marcelo Nascimento, gerente do Supermercado Redentor, é outro que percebeu que as vendas do leite integral diminuíram. “Quem consome mais leite são as crianças e a mães ficam preocupadas. Todas perguntam sobre a procedência do leite antes de comprar”. No estabelecimento, na zona norte da cidade, a redução foi de 50 caixas para 30 por dia. Quem também concorda que os clientes estão com o “pé atrás” na hora de comprar leite de caixinha é a gerente do Supermercado Peg Leve, na Vila Santa Cruz, Rose Faria. “Percebi uma queda de 20% no volume de vendas. Acredito que vou fechar a semana com 170 caixas vendidas enquanto a média era de 200 caixas ou mais”. Em relação ao preço do produto, a maioria dos supermercados consultados diz que não houve alteração, porém não sabe explicar como ficará a situação se novas fraudes forem descobertas. Nos estabelecimentos, os valores variam em média de R$ 1 a R$ 1,80. EM ALTA Com a venda do longa-vida em baixa, os consumidores migraram para o leite de saquinho, cujas vendas saltarem, em poucos dias, mais de 20%. Na padaria Estrela, 400 litros do produto eram vendidos diariamente, com a fraude, a procura aumentou para até 600 litros por dia. “O leite de saquinho se tornou uma das melhores opções, pois é visto como um produto mais saudável”, disse Alexandre Marques Xavier, encarregado de compras. Outro que sentiu a venda do leite de saquinho disparar foi o proprietário do Laticínio Zanetti e da padaria Pão Delícia, Júlio César Zanetti. “Vendia em média 200 litros e gradativamente passou para 250 litros ao dia. Os clientes têm percebido que, por ser um produto perecível ao ficar fora da geladeira e pasteurizado, o leite de saquinho é mais saudável”. Para quem consome leite diariamente, a troca tem ocorrido por precaução. “A gente fica com medo. É melhor não arriscar. O longa-vida é mais prático, mas nesse caso preferi voltar a comprar o de saquinho”, disse o aposentado Maurino Malta.

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