O Projeto Brasil (www.projetobr.com.br) está realizando um conjunto de quatro seminários fechados - e gravados - sobre o momento atual. No primeiro deles, o tema apresentado foi sobre o atual ciclo de financeirização mundial. Os expositores, o economista Yoshiaki Nakano e o consultor André Araújo.
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Em sua apresentação, Nakano sintetizou com maestria as principais características do ciclo atual. A maioria das crises financeiras é precedida por deslocamentos provocados ou por grandes inovações ou por guerras, que alteram as expectativas de retorno o capital, seja pelo super-investimento seja por crises de crédito. O crescimento recente dos Estados Unidos é um fenômeno novo na economia, porque impulsionado por bolhas especulativas. A bolha cria valor, que estimula o crédito que estimula a economia.
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Já China e Índia recorreram a um modelo de crescimento similar ao da reconstrução européia no pós-guerra, de países que crescem durante várias décadas sem dívida externa, com superávit externo, câmbio competitivo e política fiscal restritiva. Dentro desse modelo, o próprio crescimento gera poupança. Com a integração financeira mundial, esses dois modelos se interligam. Sistemas financeiros desenvolvidos são capazes de gerar liquidez imediata a partir de um fluxo futuro de receita. Sistemas subdesenvolvidos, não. Sem chance de gerar ativos líquidos, o excesso de poupança dos emergentes acaba indo para mercados desenvolvidos, ajudando a gerar bolhas especulativas sucessivas.
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É isso que explica o déficit americano de US$ 850 bilhões. Desde o acordo de Breton Woods, no pós-guerra, os EUA se tornaram importadores de última instância de capitais, recebendo os ganhos da senhoriagem (ganho da desvalorização da moeda). Nos últimos 15 anos, o retorno dos investimentos diretos americanos no exterior foi muito maior do que o déficit nas transações comerciais. 70% desses investimentos são em moeda local; e todo ativo estrangeiro nos EUA é em dólar. Assim, sempre que o dólar se desvaloriza o passivo americano não cresce.
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Esse movimento cria o paradoxo do capital fluindo dos países que crescem para os ricos; e dos países ricos para os pobres. Só que os países que recebem o fluxo financeiro não crescem. Crescem apenas os países que exportam. Com o dinamismo da economia, esses países criam o clima adequado para, depois, fazerem as reformas.
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De seu lado, André Araújo sustenta que a atual onde de grandes fusões mundiais está chegando ao fim. Não há muitos ativos mais nas áreas preferenciais, de mineração, petróleo e bancos. Do lado político, há um ciclo de turbulências pela frente, possivelmente oriundas da Venezuela, Paquistão, Rússia e Arábia Saudita. Por outro lado, a expansão da China já a torna protagonista não apenas na Ásia como na África. Enquanto os EUA encontram enorme dificuldade para resolver os pepinos da invasão do Iraque, e os casos Irã e o conflito árabe-israelense. O dado novo é que a Rússia começa a buscar um novo papel de protagonista na geopolítica mundial.
INFLAÇÃO DESACELERANDO
O IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado), da FGV (Fundação Getulio Vargas), continua desacelerando. Em outubro aumentou 1,05% em outubro; em setembro, 1,29%. E o principal fator foi a queda nos preços dos produtos agrícolas. O IPA (Índice de Preços por Atacado), um dos três índices que compõem o IGP-M, teve alta de 1,42%, contra 1,83% no mês passado. O IPA agrícola cresceu 4,57% contra 5,57% em setembro.
PREVIDÊNCIA E POBREZA - 1
Cerca de 900 mil pessoas deixaram a linha da pobreza (renda inferior a meio salário mínimo) nos dois últimos anos, em função dos benefícios assistenciais ou previdenciários pago pelo INSS. O Ministério da Previdência Social levantou esses dados com bases nos indicadores da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE. O universo atendido é de 21,9 milhões de pessoas.
PREVIDÊNCIA E POBREZA - 2
Os estudos demonstraram que ainda existem no País 29 milhões de trabalhadores desprotegidos, ou seja, sem proteção dos benefícios previdenciários. O universo abrangido é da faixa entre 16 e 59 anos - com capacidade de trabalho - mas sem contribuir para o INSS. A maior parte são homens das Regiões Norte e Nordeste do País, que trabalham por conta própria, têm até 40 anos e renda média de até dois salários mínimos.
CHÁVEZ E A ECONOMIA
Na próxima semana o presidente da Venezuela Hugo Chávez estará promovendo um seminário internacional sobre políticas econômicas heterodoxas. A idéia será levantar alternativas às políticas ortodoxas implementadas nas últimas décadas no continente. Só da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) estão convidados oito economistas. Tudo às expensas da PDVSA, a petrolífera venezuelana.
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