A invasão dos besouros


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Com as altas temperaturas e a  chegada da época de chuvas, besouros invadem ruas e casas
Com as altas temperaturas e a chegada da época de chuvas, besouros invadem ruas e casas
De pernas para o ar, com vôos rasantes e barulhentos, andando pelo chão ou pelas paredes e trombando nas lâmpadas e na tela da televisão. Depois das borboletas, mariposas, pernilongos, formigas de asas e aleluias, os besouros resolveram infestar ruas e casas de Franca. O biólogo Breno Neves de Andrade, 23, professor de Ciências e Biologia, disse que é comum o aparecimento desses insetos entre outubro e novembro. Segundo ele, o ciclo de vida deles passa pelo ovo, larva, pupa (uma espécie de casulo) e adulto, quando estão aptos a procriar. “Eles estão nesta fase. Além disso, o período chuvoso é o start para se reproduzirem. A maioria se reproduz em épocas quentes e com chuva, como nesses meses”. O calor anormal aumenta a população dos invasores. “Sempre tratamos como hipóteses, mas é possível que os dias quentes contribuam para mais bichos aparecerem”. Breno ainda levantou outras possibilidades para a presença da população de besouros na cidade: o desmatamento e grande luminosidade. “Com a destruição das florestas, eles acabam fugindo para o município. Várias espécies aladas, ou seja, com asas, são atraídas pela luz, por isso entram nas casas”, disse. A reportagem localizou pelo menos seis espécies diferentes dos animais coletadas na noite da última segunda-feira, mas o biólogo Breno disse que é difícil identificá-las tamanha a diversidade deste tipo de inseto. “É um grupo muito variado. Existem cerca de 350 mil espécies diferentes de besouros”. Em Franca, esses artrópodes apareceram em pelo menos dez bairros. Moradores do Jardim Lima, Vila Santa Maria, Vila Nicácio, Vila Hípica, Jardim Aeroporto, Jardim Ângela Rosa, Parque Progresso, Jardim Noêmia, Centro e Vila Santa Cruz têm sentido a presença deles. A professora Simone Regina Falleiros, 44, mora na Vila Hípica há sete anos e sempre enfrenta a invasão de besouros e outros insetos em épocas quentes do ano. “Eles sempre aparecem, mas desta vez, parece que tem mais. Tem dias que se a gente não tomar cuidado corre perigo de engolir um besouro na hora do jantar”. Simone e os familiares não se sentem tão incomodados e não matam os bichos. “Varro e pronto. Não tenho medo nem nojo”. Os três filhos dela de 9, 7 e 5 anos parecem ter se acostumado com a situação. Na verdade, eles transformam a invasão em brincadeira e competem entre si para ver quem consegue mais exemplares dos insetos. Até o momento, Gabriel, 7, venceu. “Ele pega um pote de besouros todos os dias. Acho que dá uns 60, 80 no total”, disse a mãe. O serviços-gerais Cristiano Bizzi também encontrou uma maneira diferente de lidar com os bichos. Para se livrar deles, recolhe e armazena todos numa garrafa pet para alimentar as tilápias que cria numa represa particular. Sorte dos peixes que terão um cardápio diferente das tradicionais rações. “Elas adoram os besourinhos. Também vou guardar para usar como isca quando for pescar”, disse. Quem não encontrou destino tão curioso para os animais pode optar por medidas simples para tentar afastá-los. Algumas delas são apagar as luzes dos cômodos que não estiverem sendo usados, fechar as janelas ao entardecer e colocar telas nas janelas, que evitam invasão de besouros e outros insetos. ALERTA Algumas espécies de besouros são consideradas pragas e chegam a atacar e destruir plantações. Não existem registros de terem causado problemas à saúde humana, mas especialistas orientam a evitar contatos. “Não existem relatos de doenças, mas é bom não ficar pegando os insetos. Alguns se alimentam de fezes, passam por elas”, disse Breno de Andrade.

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