Lugar de boi é no pasto. Todo mundo sabe. Mas não é o que vem acontecendo em algumas rodovias da região. Com o pasto seco, muitos animais, principalmente bovinos, têm abandonado os cercados para buscar capim mais verde. O problema é que, para isso, acabam invadindo a pista de estradas movimentadas. O risco de acidentes para os motoristas é grande. O perigo aumenta à noite quando a visibilidade não é muito boa.
De janeiro a setembro deste ano, funcionários da concessionária Autovias (que administra a macrorregião de Ribeirão Preto) efetuaram 87 apreensões num trecho de 317 quilômetros. Foram recolhidos 210 animais, a maioria bovinos. No mesmo período, foram registrados dois acidentes (sem vítimas) na Rodovia Cândido Portinari.
Os animais apreendidos são levados para pátios e ficam à espera do dono. A empresa também faz campanhas para tentar conscientizar os pecuaristas a manter os bichos longe das pistas. A concessionária também reconstrói cercas. Somente neste ano foram recuperados 2.664 metros.
No município de Pedregulho, ver animais soltos às margens da rodovia já se tornou rotina. A Polícia Rodoviária, que na maioria das vezes atende aos casos, registra a ocorrência e encaminha direto para o Ministério Público. “Por conta do pasto seco, os bovinos estão pulando a cerca. Quando encontramos um animal solto, registramos o Boletim de Ocorrência e encaminhamos direto para a promotoria”, disse o soldado Roberto Rivelino de Oliveira.
No último fim de semana, vários bichos foram encontrados transitando tranqüilamente pelas margens da rodovia. Rivelino não revelou o número exato, só informou que o problema se tornou corriqueiro.
Em Ibiraci (MG), os animais viraram caso de justiça depois de dois acidentes fatais na estrada que liga a cidade à Usina de Peixoto. A via é usada principalmente por moradores do bairro rural da Lage e por rancheiros. Em dezembro do ano passado, o promotor público André Fernando Colucço, tomou uma decisão radical para acabar com o problema. Ele se reuniu com criadores que têm propriedades próximas à estrada para que fosse assinado um termo de ajustamento de conduta. Vinte e sete pecuaristas se comprometeram a manter os animais longe da pista. O descumprimento gera uma multa de R$ 100 por bicho pego solto. Em caso de acidente e morte do motorista, o proprietário do animal, se for identificado, poderá responder de forma culposa.
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