Financeira de Minas Gerais quer ‘engambelar’ francanos


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Se você precisa de um empréstimo para pagar as dívidas ou finalmente realizar um antigo projeto, é melhor ficar atento antes de sair por aí à procura de uma linha de crédito. Uma suposta financiadora de Belo Horizonte (MG), identificada como SBF Financeira, tem aplicado golpes em Franca. Ao menos três casos foram registrados oficialmente. Quem trafega pelas vias da cidade recebe um panfleto com a oferta de empréstimo pessoal que pode variar de R$ 3 mil a R$ 100 mil. Segundo o anúncio, nenhuma consulta em banco de dados de proteção ao consumidor (Serasa ou SCPC) é realizada. O papel garante que o empréstimo é voltado para autônomos, aposentados e funcionários públicos. A repositora de mercadorias Rosângela (nome fictício), 30, foi uma das que caíram no golpe. Ela precisava de R$ 1,5 mil para custear a cirurgia de retirada da vesícula da mãe e procurou a SBF após receber um panfleto. Pegou emprestado R$ 3 mil e depositou R$ 240 na conta da empresa. Depois disso, fez outros dois depósitos no mesmo valor. Não viu um centavo. “Como o dinheiro não tinha sido liberado após dois dias, entrei em contato com eles. Pediram mais R$ 240 alegando que havia dado um problema no sistema e que o valor mínimo para o empréstimo era de R$ 6 mil. Depois, pediram mais R$ 240 para completar uma taxa de garantia no valor de 12% do empréstimo. Perdi R$ 720 com o golpe. Além disso, terei ainda que pagar às pessoas a quem pedi dinheiro para fazer o depósito”. Confirmado Para comprovar a fraude, o repórter do Comércio entrou em contato com a SBF identificou-se como André da Conceição Silva, 21, morador no Parque São Jorge, com renda mensal de R$ 900 e necessitava de um empréstimo de R$ 3 mil. Os dados fornecidos a respeito de André foram falsos. A suposta recepcionista da financiadora, que se identificou como Lorena, solicitou o número do RG (Registro Geral), CPF (Cadastro de Pessoa Física) e o número da conta bancária. Ainda segundo ela, era necessário fazer um cadastro e, se aprovado o crédito, o dinheiro seria liberado em 24 horas. Mesmo com tudo falso, a financeira aprovou o cadastro e informou que André deveria depositar uma caução de R$ 240 na conta de um de seus corretores para que o dinheiro fosse liberado. A liberação de dinheiro para uma pessoa que sequer existe, é uma forte evidência do golpe no qual caíram os três francanos. Não é só. Embora a polícia não tenha estimativas de quantas pessoas caíram na fraude, um BO foi registrado no último dia 8 contra a SBF. A vítima é uma bordadeira que preferiu não ser identificada e que chamaremos de Mônica. Ela é moradora no Jardim Leporace e chegou a fazer o depósito na conta de Igor Alexandre Moura, outro corretor da empresa. “Liguei confirmando o depósito, disseram que o empréstimo seria liberado naquele mesmo dia, mas isso não aconteceu. Mais tarde, alegaram que havia dado problema no sistema e pediram mais 15 dias para o dinheiro ser liberado. Eu desconfie e solicitei os R$ 240 de volta. Já era tarde”. Procurado para falar sobre o caso, o delegado da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), Wanir José da Silveira Júnior, disse que a polícia investiga a empresa. “As investigações ainda estão superficiais”, disse. O Procon de Cerquilho (MG) registrou pelo menos três denúncias contra a SBF. As vítimas alegam ter depositado R$ 240 na conta de um corretor para liberar o empréstimo, que não ocorreu. No Procon de Franca também há uma denúncia. OUTRO LADO No site da SBF (www.sbffinanceira.cjb.net), que há seis dias saiu do ar, era possível localizar o número do CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) da empresa. O cadastro especificado pertence à Souza Brandão Financeira Ltda, criada pelos integrantes da SBF. No entanto, a instituição não possui inscrição estadual na Secretaria da Fazenda de Minas. Além disso, a financeira não está instalada no sétimo andar do Edifício Cartaxo, no Centro de Belo Horizonte como mencionado no registro. A SBF também não possui cadastro no Banco Central como instituição financeira. Procurada, a direção da entidade não quis conceder entrevista. Através de uma secretária, que não se identificou, disse apenas que o repórter “devia estar escondendo algo de errado” por conta dos dados falsos apresentados à empresa.

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