A Casmil (Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro), de Passos, despejou em Franca 49 mil litros de leite adulterado. A operação aconteceu na tarde de domingo e seria realizada novamente ontem, mas, por questões burocráticas, a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo) impediu a ação. “Não tínhamos nenhum pedido dos órgãos ambientais de Minas para receber esse produto, por isso foi preciso suspender a operação”, disse Francisco Setti, superintendente da Cetesb.
Por ser a cidade mais próxima de Passos com capacidade para tratar e descartar o leite adulterado, a Feam (Fundação Estadual do Meio Ambiente) de Minas Gerais havia indicado e autorizado que o produto viesse para a ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) de Franca, órgão administrado pela Sabesp. O problema é que nem a Sabesp nem a empresa pediram a autorização da Cetesb para o procedimento.
Rui César Bueno, gerente da ETE, disse que só recebeu o produto porque os órgãos ambientais de Minas fizeram a solicitação. Ele explicou que ontem exigiu que a Casmil enviasse o documento de autorização da Cetesb. “Eu liguei na empresa e cobrei a documentação, mas não encaminharam. Para nós o procedimento seria normal, o problema é que nunca havíamos recebido substâncias de outros estados”, disse Rui, acrescentando que o produto que chegou no domingo foi recebido e tratado como esgoto, depois foi despejado no Córrego dos Bagres, que deságua no Rio Sapucaí.
Foram dois caminhões, com 24,5 mil litros cada, que chegaram à estação de tratamento no domingo. Um dos veículos ficou retido na base da Polícia Rodoviária de Franca por estar com os pneus gastos e documentação vencida. Já os caminhões que chegariam a Franca ontem, retornaram para Passos no meio do caminho, depois de percorrerem mais de 70 quilômetros. Eles foram acionados pela Casmil antes de chegarem ao posto fiscal da cidade de Capetinga e orientados a voltar por conta do impedimento da Cetesb. Os três caminhões eram escoltados pela Polícia Rodoviária e traziam 27 mil litros de leite cada.
A assessoria de imprensa da Casmil confirmou ao Comércio que não há estações de tratamento na região de Passos e a Sabesp é a única alternativa para o descarte do produto. A empresa ainda não sabe o que fará com o leite adulterado, mas deve solicitar a autorização da Cetesb e trazer novamente o produto para Franca nos próximos dias.
A MÁFIA DO LEITE
As cooperativas Casmil e Coopervale (Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande), de Uberaba, são acusadas pela Polícia Federal de misturarem produtos impróprios para o consumo no leite longa-vida (de caixinha). Parte da quadrilha, presa na semana passada, foi solta no sábado.
Segundo os depoimentos colhidos nas investigações, o leite era adulterado nas cooperativas, onde recebia a adição de soro, que é a sobra da fabricação de queijo; água oxigenada, para matar as bactérias do leite contaminado pelo soro e aumentar o prazo de validade. Em alguns casos, também se colocava soda cáustica, para que a acidez da mistura fosse reduzida. O objetivo seria aumentar o volume e disfarçar a má qualidade do produto.
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