O ‘cachimbo’ da moda


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Pequeno, médio, grande, de bronze, porcelana, cristal, colorido ou se você preferir tem até um modelo mais discreto. O que não falta é variedade nos estilos de um narguilé (se lê narguilê), uma espécie de cachimbo d’água que está conquistando cada vez mais adeptos entre os jovens francanos. Conhecido no mundo todo por diversos nomes (hookah, shisha, narguila, nakla, arguile, entre outros), o narguilé tem várias histórias a respeito de seu surgimento. A mais provável é que ele tenha sido criado por volta do século XVII, na Índia. No Brasil, o instrumento chegou junto com imigrantes turcos, libaneses e judeus. A designer e paisagista Aline Coelho Naldi, 23, se rendeu ao narguilé. Há cinco anos, em um curso de dança árabe que fez em São Paulo, ela usou o “cachimbo” pela primeira vez. “Foi durante o intervalo de uma das aulas. A professora acendeu pra gente experimentar. Eu fumei e adorei”. Desde então, ela se tornou uma fiel consumidora a ponto de ter quatro tipos diferentes em casa. “Em três deles, eu até coloquei nomes: Onofre, Hafic e Aladin. O último que comprei ainda não batizei”, brinca. Em Franca, Aline usa o pretexto de fumar narguilé para reunir os amigos aos fins de semana.”As reuniões ocorrem sempre na casa de algum integrante do grupo ou em barzinhos da cidade que permitem o fumo. “É bem legal, a gente aproveita para colocar o papo em dia, rir e se divertir. O narguilé é um companheiro perfeito nessas horas”. Para fumar com o instrumento, é preciso colocar água no recipiente de vidro (espécie de garrafa). Quem preferir também pode substituir por vodca ou cachaça. O fumo (tabaco aromatizado com sabores de frutas) é colocado no cabeçote do aparelho, seguido do carvão. Para acender, é preciso utilizar um maçarico que esquentará o carvão até ele ficar vermelho. A pessoa puxa o ar que está dentro do narguilé pelas mangueiras, a água sobe, entra em contato com a brasa e evapora produzindo a fumaça. Há oito meses, o comerciante Josias de Carlim Júnior, 23, se tornou um adepto. Foi através da ex-namorada que ele descobriu o cachimbo e desde então não consegue mais ficar sem. “É sagrado, toda semana meus oito amigos e eu nos reunimos para uma tragada. Além da sensação de liberdade, o gosto que fica na boca é uma delícia”. Em Franca, o narguilé pode ser encontrado para comprar em pelo menos duas lojas. Na Tenda Árabe, especializada em produtos do Oriente, e na Loja de Conveniência do Posto Galo Branco. O valor de um aparelho varia de R$ 49 a R$ 300, dependendo do modelo, tamanho da peça e quantidade de mangueiras (pode chegar até três). Agora, quem não tem dinheiro para comprar um pode alugar. No Boteco do Lu, por exemplo, o aluguel por uma hora custa R$ 15. Para o proprietário da Tenda Árabe, Michel Riad Aoude, que há dois anos comercializa narguilé, quem se interessa pelo objeto é um grupo seleto de jovens. “Eles têm entre 18 e 25 anos, são de classe média e procuram o objeto em busca de confraternização em grupo”. A procura pelo objeto tem crescido muito nos últimos meses. “ Se antes eu vendia seis por semana, hoje são cerca de 20”. Quem é adepto da fumaça aromatizada precisa ficar atento quanto aos riscos que ela causa à saúde. A água presente no narguilé não é capaz de filtrar todas as substâncias tóxicas encontradas no tabaco. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), fumar narguilé por uma hora equivale ao consumo de 200 cigarros. Para o pneumologista Ciro de Castro Botto, o narguilé faz tão mal quanto o cigarro. “Não importa quais sejam as maneiras em que as mais de 4 mil substâncias tóxicas encontradas no tabaco são inaladas. Todas fazem mal à saúde e provocam doenças cancerígenas. Os jovens devem pensar bem antes de começar a fumar”.

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