Prevenção urgente


| Tempo de leitura: 2 min
Dias atrás este jornal veiculou matéria sobre o grande número de traficantes presos em Franca este ano. Tal fato se deve ao intenso trabalho que vem sendo realizado no campo da repressão. A Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (DISE), apesar do pouquíssimo número de funcionários, compensa com dedicação e muito esforço de sua equipe o que dela se espera. Dedicação que não vê hora, dia, tempo bom ou ruim, mas que faz com que o tráfico venha a ser combatido. As prisões das quadrilhas e de seus líderes são as metas principais da equipe da DISE, principalmente de pessoas ligadas às facções criminosas que atuam em nosso Estado e que usam o tráfico para arrecadar dinheiro visando financiar outros delitos. O que mais nos preocupa é sabermos que somente a repressão não acabará com o problema. É preciso muito mais. Estamos particularmente preocupados com o aumento do consumo de drogas, tanto as mais conhecidas, como aquelas sintéticas, usadas nas chamadas festas ‘rave’. Sabemos que os consumidores estão em todas as camadas sociais, principalmente entre os jovens. Notamos aumento significativo no número de garotas consumidoras de entorpecentes. Inegavelmente o consumo alimenta o tráfico (se há aumento na demanda, haverá maior oferta). Se há maior procura, mais pessoas irão se arriscar para vender os produtos ilícitos, pensando que o lucro compensa tudo. Assim, não temos nenhuma dúvida em afirmar que necessitamos, urgentemente, de uma política voltada para a prevenção ao consumo. A DISE conta com um trabalho pioneiro, em termos policiais, no campo de prevenção e tratamento, com o esforço voluntário de uma psicóloga que atende usuários e familiares que nos procuram. Ainda assim, não é o suficiente. Nossa sociedade precisa se mobilizar e exigir maior atenção dos políticos para com esse problema. Precisamos de veiculação de campanhas que desestimulem o consumo das drogas. Há anos o governo faz campanhas semelhantes, com resultados bem satisfatórios, no tocante ao consumo de tabaco. Poderiam servir de modelo e podem ser colocadas em prática rapidamente. Se a prevenção der resultados, diminuiremos o consumo; se diminuirmos o consumo, também teremos reflexo quanto ao tráfico ilícito. Se houver diminuição do consumo e do tráfico de drogas, certamente veremos uma diminuição de muitos outros tipos de crimes, uma vez que é sabido que o incremento do número de furtos e roubos tem como motivo o tráfico, ocorrendo estes para financiar aqueles ou para pagar dívidas com traficantes. E por último: a principal prevenção começa em casa. PEDRO LUÍS DALAQUA é delegado da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes de Franca (SP)

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários