‘Flanelinhas’: pague ou tenha o veículo danificado


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A Avenida Champagnat é reduto de flanelinhas pela movimentação constante nos bares e restaurantes
A Avenida Champagnat é reduto de flanelinhas pela movimentação constante nos bares e restaurantes
Domingo, dia de ir à missa, de comer um pastel na feira da Avenida Major Nicácio ou de assistir a um jogo de basquete no Póli. Se algum destes programas estiver no seu roteiro, não se esqueça de separar o dinheiro do “flanelinha”. A atividade lícita de alguns guardadores que agem corretamente pode esconder, em muitos casos, uma espécie de quadrilha que age livremente desafiando a polícia e extorquindo os motoristas. “Posso olhar seu carro, moço?” Comum nos pontos de grande movimento, o pedido dos “simpáticos” flanelinhas soa com tom de ameaça. Ou o cliente paga pelo serviço, ou possivelmente terá o veículo riscado ou roubado - embora, em alguns locais haja profissionais sérios e comprometidos trabalhando. Não há um valor fixo, mas a “taxa” varia de R$ 0,50 a R$ 10, dependendo do evento e da cara do freguês. Com medo de ter o carro ou a moto danificados, o proprietário se sente obrigado a pagar pelo serviço que não oferece a menor garantia de segurança. Não faltam histórias para exemplificar o abuso. Quarta-feira, 9 de maio, 21 horas. Milhares de torcedores se dirigiram ao Póli para assistirem pelo telão a decisão da Liga Sul-Americana entre o Unimed/Franca e o Libertad. O vendedor GGL, 18, pagou R$ 5 para um indivíduo conhecido por “Scooby Doo” cuidar de seu carro. O torcedor entrou despreocupado e começou a vibrar com a boa partida do time. De repente, se virou para comemorar uma cesta de três e abraçou uma pessoa que estava do lado. Era o flanelinha. A polícia foi chamada e levou o espertinho para a delegacia. No seu bolso, os policiais encontraram dezenas de cartões com a inscrição: “Enquanto você se diverte, nós vigiamos seu carro, mas somente até as 4 horas da manhã”. Com várias passagens pela polícia, Scooby Doo foi liberado e continua “trabalhando”. Em junho, o atirador Diego Cunha Oliveira, 19, deixou seu carro estacionado na Rua Santos Pereira. Pagou R$ 3 para um guardador. Quando retornou, uma hora depois, encontrou a porta arrombada e notou a falta do toca-CDs. O QUE FAZER O que fazer para conter a ação dos flanelinhas? Autoridades ouvidas pela reportagem não deram uma resposta convincente. “A Prefeitura não tem o que fazer. Isto é competência da polícia. Se a pessoa se sentir ameaçada, deve ligar para o 190”, afirmou Sérgio Buraneli, chefe da Divisão de Trânsito. O capitão Alexandre Wellington, comandante da Força Tática, disse que a Polícia Militar sempre aborda os flanelinhas e verifica seus antecedentes. Os que constam passagens são convidados a se retirar ou levados para a delegacia. “O trabalho legítimo é um direito do cidadão. O ato de vigiar um carro não configura crime, a não ser quando o guardador faz ameaças à vítima. Só podemos agir efetivamente quando a pessoa se sente ameaçada e nos aciona. Não temos como retirar só por retirar”. Segundo o delegado Wanir de Silveira, chefe da DIG, a Polícia Civil já fez operações para inibir e cadastrar os guardadores que atuam na cidade. “Alguns constavam com passagens por furto. Não podemos interferir se não houver crime. Acho que uma boa saída seria a normatização da profissão por parte da Prefeitura”.

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