Delegados querem equiparação com MP


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O delegado Wanir da Silveira, da DIG, encabeça movimento pela melhora nas condições de trabalho dos delegados
O delegado Wanir da Silveira, da DIG, encabeça movimento pela melhora nas condições de trabalho dos delegados
Aumento salarial, autoridade para expedir mandado de busca, decretar prisão por um período de 48 horas, facilitação de acesso a qualquer banco de dados do País e o reconhecimento da profissão de delegado como carreira jurídica. Estas são as principais reivindicações da Polícia Civil. O movimento, nacional, é encampado por todos os delegados de Franca, liderados por Wanir José da Silveira Júnior, titular da DIG (Delegacia de Investigações Gerais). O protesto não é a toa. Apesar de ser o Estado mais rico, São Paulo tem o salário inicial mais baixo da categoria em todo o País. De acordo com os dados da Associação dos Delegados paulista, o piso salarial da categoria no Estado é de R$ 3 mil, dados de 2005. Para se ter uma noção da discrepância, em Mato Grosso o vencimento inicial de um delegado é de R$ 8.552. A luta, no entanto, não é para uma equiparação com os demais delegados do País, mas sim com os vencimentos do Ministério Público. Isso se daria por meio de uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional), a 549, pronta para ser votada no plenário da Câmara. De acordo com o projeto, intitulado de PEC da Polícia, o salário inicial de delegado não poderá ser inferior ao limite fixado para o integrante do MP com atribuição de participar das diligências na fase de investigação criminal. Com isso, o salário do delegado saltaria para até R$ 21.055,69. A justificativa é que, assim como no caso do MP, os delegados devem ser formados em Direito, com aprovação da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), ingressam na carreira por concurso público e têm uma carreira jurídica. Para o diretor da Faculdade de Direito de Franca e juiz aposentado Euclides Celso Berardo a reivindicação é justa, mas não necessita de alteração na constituição. “A remuneração dos delegados, principalmente em São Paulo, é muito baixa. Existe uma situação de injustiça com a carreira, mas acho que não há necessidade de mudar a constituição”. O delegado Wanir diz que a questão salarial é importante, mas a luta vai além disso. “Queremos uma remuneração justa, que a profissão seja considerada carreira jurídica e que tenhamos a garantia de não sermos transferidos, salvo por interesse público”. A equiparação é vista com ressalvas pelo professor de Direito, ex-delegado de polícia e promotor de Justiça aposentado Antônio Milton de Barros. “Embora tendo como base comum a exigência do bacharelado em Direito, cada categoria tem suas especificidades. Contudo, todos precisam de remuneração condigna. Os salários precisam ser aumentados”.

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