Jubileu e a tradição do amendoim torrado


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Sempre com um sorriso no rosto, Jubileu tem seus clientes como amigos
Sempre com um sorriso no rosto, Jubileu tem seus clientes como amigos
“Ôooiiiiiiii. Amendoim torradinho, salgadinho do Jubileu. Tô descendo a rampa...”. O grito entoado entre as arquibancadas do Lanchão, assentos do Póli e poltronas do Teatro Municipal tornou a voz do vendedor Jubileu Ferreira dos Santos, 65, uma das mais conhecidas de Franca. É difícil encontrar alguém que nunca ouviu falar do “Jubileu do Amendoim”. A fama não é para menos, afinal faz 42 anos que ele percorre as ruas de Franca para vender todo mundo sabe o quê. Nascido em Capetinga (MG), Jubileu veio para Franca ainda criança. Estudou apenas até a 2ª série. Começou a trabalhar aos 10 anos para ajudar em casa. Vendia “balas-puxas” feitas pela mãe. Mas os negócios ruins com o doce o fizeram apostar no salgado. Aos 20 e poucos anos, começou a torrar e vender amendoins nas zonas do meretrício de Franca. “A situação apertou. Passei a vender amendoim nas casas de prostituição. Agradeço às prostitutas que me ajudaram”. A mudança foi acertada. Jubileu levava seus produtos em jogos esportivos realizados antigamente em escolas da cidade e no Clube dos Bagres. Hoje, ganha a vida vendendo amendoim torradinho e salgadinho no Restaurante Moringa Gelada, Teatro Municipal, Poliesportivo e Clube Castelinho. “Onde tem gente estou vendendo amendoim. Só não vendo amendoim em velório”, brinca. No Teatro, os famosos grãos preparados por ele e a mulher, Aparecida Santos, 68, dona de casa, conquistaram celebridades. Jubileu sempre presenteia famosos que se apresentam em Franca. “Tenho portas abertas no teatro. Só lá faz 26 anos que trabalho. Nesse tempo, já provaram do amendoim os artistas Tony Ramos, Tarcísio Meira, Glória Menezes e Raul Cortez. Eles adoraram e até fazem propaganda do meu amendoim”. Embora tenha tido desavenças com o diretor do Teatro, Jô Ribeiro, no último dia 22, Jubileu deve continuar vendendo no local. Nos primeiros anos, o amendoim era preparado em uma frigideira. Hoje, o alimento é comprado em Ribeirão Preto e torrado em fogão a lenha, na casa de Jubileu, na Vila Aparecida. Não há segredo no preparo: o amendoim é temperado apenas com sal. “Fazemos sempre com produtos selecionados e torramos diariamente para vender fresquinho”. Cada dez quilos de amendoim consome cerca de uma hora para ser torrado. Antes, Jubileu cuidava desse processo, mas problemas de saúde o obrigaram a parar. O vendedor contratou um funcionário para fazer isso, mas deixa bem claro que abre mão da produção, mas do contato com a clientela, “jamais”. “Se eu não vender fico doente. Eu amo essa profissão. Eu amo os fregueses do meu coração, tenho carinho por eles. Sou amigo das crianças”. Jubileu trabalha de quinta-feira a domingo e vende cada embalagem por R$ 2. Três unidades têm desconto e saem por R$ 5. O lucro mensal é de R$ 1.500 em média. Por mês, são vendidos aproximadamente 200 quilos do produto. Para comercializar tanto, Jubileu se transformou num “microempresário” e conta com dois funcionários contratados nas vendas. “Eles trabalham há muito tempo para mim. Temos de dar força para as outras pessoas. Eles são sujeitos trabalhadores e esforçados, que aprenderam a viver e respeitar o próximo”, disse Jubileu. O pagamento a eles é por comissão. Adalto da Silva, 35, trabalhava em fábrica de sapatos, mas há sete anos passou a comercializar amendoins. Consegue cerca de R$ 800 por mês trabalhando quatro vezes por semana. “É um bom trabalho”, disse. A equipe já foi maior. “Tinha mais, uns 15 contratados, mas a lei proibiu trabalho de menores e tivemos que dispensá-los”, disse a mulher de Jubileu, Aparecida. Agora trabalham Jubileu, os dois empregados e o filho Carlos Ferreira dos Santos, 43. Ele foi o único dos seis filhos a seguir a profissão do pai. Os outros trabalham com produções artísticas, salão de beleza, organização de festas e pesponto. O incentivo a Carlos partiu do pai. “Dei força para meu filho. Ele trabalhava em fábrica de calçados e eu tirei ele de lá e falei para vender amendoim porque tem renda melhor. Trabalhar de sapateiro não dá não. Hoje, graças a Deus e ao trabalho modesto, fornecemos para bares, nas corridas hípicas e no basquete”. Carlos disse que fornece embalagens com 40 gramas para 800 bares em Franca e região também. Jubileu quer que o filho continue na profissão e preserve a lembrança dele. “Ele está trabalhando no meu lugar. Estou deixando espaço para ele porque vou morrer mesmo. É o segundo Jubileu”. Além do orgulho, a profissão permitiu que o vendedor criasse os filhos e conseguisse a casa própria. VEJA MAIS Não perca também trechos exclusivos e detalhes da entrevista no Jornal de Domingo, às 8 horas, e no Jornal da Manhã, às 6 horas desta segunda, ambos na Difusora AM 1030 kHz.

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