Um em cada cinco médicos que atuam na região de Franca já foi denunciado ao Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo). Dos 771 profissionais que trabalham nas 17 cidades que compõem a regional, 170 foram acusados de cometer algum tipo de infração no exercício da medicina, entre 2000 e junho de 2007. As acusações variam de uma simples propaganda irregular a erros médicos propriamente ditos.
Do total de médicos processados, apenas 14 sofreram algum tipo de punição do conselho. Os nomes dos profissionais envolvidos em processos e a punição a eles imposta não foram reveladas pelo conselho. “Não posso falar em nomes. O código de ética não permite”, limitou-se a dizer o delegado do conselho em Franca, Lavínio Camarim, no final da noite da sexta-feira, 19. O delegado disse não ter condições de informar quais tipos de punições esses médicos sofreram. “Não tenho essas informações.
Estou em São Paulo e não consigo contato com o responsável por este controle”. Procurado por mais três vezes ao longo desta semana em seu consultório em Franca, Camarim não foi encontrado.
O índice de médicos envolvidos em denúncias na região é maior que a média estadual. Aqui o percentual de profissionais processados chega a 22%, no Estado não passa de 15%. Para o delegado do Cremesp, o aumento das denúncias e processos está relacionado às más condições de trabalho. “O volume de atendimento nos prontos-socorros tem nos deixado chocados. São meninos novos, recém-formados, que estão atendendo em condições subumanas, em que colocam em risco a sua profissão e a saúde da população”, afirmou o conselheiro, completando que a situação gera as “consultas relâmpagos” tão criticadas pelos usuários.
Se por um lado o número de médicos denunciados é maior que a média estadual, quando o assunto são punições, o índice da regional (8,2%) é menor que o do Estado (9,3%). Para o presidente do Sindicato dos Médicos de Franca, Marco Aurélio Piacesi, isso nada tem a ver com o corporativismo da profissão (no conselho o julgamento dos denunciados é feito por médicos). “Não somos corporativistas. O índice é baixo porque grande parte das denúncias não trata de problemas médicos, mas, sim, de questões administrativas (como atrasos, por exemplo)”.
Lavínio preferiu não comentar os baixos indíces de punição dos médicos locais.
O paciente que considerar o atendimento médico recebido inadequado pode procurar a delegacia do Cremesp ou ainda enviar a denúncia via correio. A Delegacia de Franca fica na Rua Voluntários da Franca, 1681 - 11º andar - salas 111 e 112.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.