Há três dias o pensamento da dona de casa Nilva Aparecida Gonçalves Costa, 39, é apenas um: onde morar. Ela vive há mais de três anos com o marido, Aparecido Pereira de Oliveira, 71, e a filha Juliana Delminda Gonçalves, 11, em um barraco de dois “cômodos” na mata do Jardim Cambuí. O local é uma área pública de preservação ambiental e não tem água tratada, esgoto, nem energia elétrica. O banheiro é improvisado, uma espécie de fossa. Apesar da precariedade, é o único lugar que a família, que vive com R$ 380 por mês, tem como moradia.
Na quinta-feira, 25, Nilva assinou uma notificação entregue por um funcionário da Prefeitura que deu prazo de 20 dias para que deixem a área. A família se desesperou. “Não sei o que vamos fazer. Tenho medo de que a máquina da Prefeitura passe pelo meu barraco e nos deixe na rua”, disse a dona de casa, acrescentando que não pretende ficar o resto da vida no local. Seu marido ganhou um pedaço de terra em uma chácara próxima a Claraval (MG) e, com a ajuda de amigos que doam materiais, estão construindo uma casa, mas, por falta de recursos, eles não sabem quando mudam. “Não temos telhas, portas, nem janelas. Não dá para mudarmos agora”.
Nilva, o marido e a filha não são os únicos que sofrem o drama. Outras duas famílias também receberam a notificação e terão de deixar a mata. Sandra Regina Gonçalves é uma delas e vive situação semelhante a família de Nilva. Nos dois “cômodos” de madeira construídos na mata, ela vive com o marido e cinco filhos, todos menores de dez anos. A família mora no barraco há mais de três anos e não tem condições de comprar terreno e construir. Eles sobrevivem com apenas R$ 112 do Programa Bolsa Família e do “bicos” que o marido de Sandra faz. “Nós não temos para onde ir com as crianças. Não sei o que vamos fazer”, disse ela.
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A história da família já foi retratada nas páginas do Comércio em matéria da repórter Nelise Luques. A partir de então, eles têm recebido doações de alimentos, mas ainda falta serem inseridos efetivamente em algum programa de casa própria compatível com a renda da família. “Certa vez, fomos inseridos em um programa de casas no Jardim Santa Bárbara, mas não tivemos condições de pagar as parcelas mensais”, disse Sandra.
Além das famílias de Nilva e Sandra, em outros dois barracos moram dois homens, mas eles não foram encontrados pela reportagem. Segundo os vizinhos, estavam trabalhando.
Procurado para falar sobre o assunto, o diretor da Divisão de Fiscalização, Ismael Xavier Filho, disse que o local é de “preservação ambiental permanente e, por interesse do Ministério Público, é preciso desocupá-lo”.
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