Apesar de não utilizar a área da Prefeitura para moradia, Sônia Pereira dos Santos, 29, está desesperada com a notificação que recebeu. Desde 2001, ela cultiva uma horta em uma parte do terreno, e outra, utiliza como depósito para os materiais reciclados que recolhe nas ruas do bairro para vender. “Se me tirarem isso aqui, estarão tirando os alimentos dos meus filhos e dos órfãos que moram comigo”.
As verduras que Sônia cultiva são colhidas para venda e ajudam a completar a renda da família. Ela cuida do marido, quatro filhos (de 3, 11, 15 e 16 anos) e seis sobrinhos órfãos (12, 13, 14, 16, 20, 24 anos). Todos moram na casa que ela construiu no bairro com a ajuda da comunidade.
Os negócios têm a participação de toda a família: ajudam a amarrar as verduras e, após a escola, saem com as carriolas cheias vendendo as hortaliças pelos bairros vizinhos do Cambuí.
O comércio rende cerca de R$ 150 por mês. As outras únicas fontes de renda são o auxílio do filho especial de Sônia (R$ 350); do material reciclado (R$ 50); e do benefício do Programa Bolsa Família (R$ 112). “Tem dia que falta leite, falta comida.
Para se ter idéia, são dez quilos de arroz por dia. Meu marido tem problemas na cabeça e não pode trabalhar, mas ele me ajuda na condução da carroça que uso para recolher os reciclados”.
Como a família é grande, Sônia utiliza a água de uma nascente próxima à mata para lavar roupas. A mata serve também para a busca de lenha, já que Sônia diz não ter condições de comprar gás de cozinha há pelo menos dois meses.
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