Os anjos vão para o céu


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“É um espetáculo sem saída, mas dessa porta fechada na cara eu acredito que dê para tentar abrir alguma coisa”. Assim a orientadora do Núcleo de Artes Cênicas do Sesi de Franca, Alessa Hungria, define a peça Os Anjos Vão Para o Céu, que estreou no teatro do Sesi, com casa cheia, na quinta-feira e fica em cartaz até amanhã. Mário Bortolotto, autor do texto, define o enredo como “a estória de personagens derrotados que têm uma última chance de vitória, de conseguirem alguma coisa, e se agarram a essa chance com toda a força de suas vidas”. Mas nenhuma das definições consegue transmitir a exata sensação do universo comum marginal no qual estamos inseridos e, muitas vezes, não nos damos conta, e que os 18 atores do Núcleo transmitem com seus personagens. A história de um pai à procura de seu filho que foi pra guerra e não voltou é um pretexto para o desfile de personagens diferentes que se misturam numa atmosfera comum a todos eles. Todos solitários, suicidas, vagabundos, criminosos, apaixonantes e transparentes. “A presença de anti-heróis que desacreditam de certos valores e gostos burgueses: figuras que dançaram, que pularam fora do sistema, que estão dispostos a ganhar a estrada a troco de um trago, de um som, de uma transa, ajudam a construir esta atmosfera.Muito mais do que contar uma história, Os Anjos Vão Para o Céu é um recorte do ser humano, uma vitrine de pessoas como qualquer um de nós, com suas frustrações, vontades, inseguranças”, ressalta Alessa. A diretora também disse que a busca por respostas, a ânsia das conquistas, o autoconhecimento, a permissão para mergulhar em si mesmo, a exposição sincera ao outro, a decepção com a própria vida são só alguns dos campos pelo qual o texto passa, revelando sua clara predileção pela crítica de costumes pelo viés existencial. Do detetive acostumado por derrotas, passando pelo delegado autoritário e machista, um velho sádico, prostitutas que sonham com o final feliz e uma depressiva com tendências suicidas, os personagens, cercados por um quadrado de sal grosso com pétalas de rosa vermelha, desnudam-se um por um diante do público. O cenário minimalista e a iluminação complementam o tom intimista da peça. O sal grosso delimita o espaço cênico e dá a sensação que estão todos no mesmo barco. “O sal simboliza a proteção, afasta as coisas ruins, e as pétalas são bonitas. É o grosseiro e o sensível, o bonito e o feio. E se as pétalas ficarem por muito tempo em cima do sal vai secar e manchar o sal”, explica Alessa. No elenco estão Orlício Marques, Gustavo Lopes, Rogério Miranda, Pedro Stempniewski, Monique Luca, Stella Garcia, Leandro Goulart, Mateus Chagas, Kelly Regina, Fábio de Luca, Nádia Morais, Fabíola Souza, Tarita Limeira, Daniel Costa, Tio Brás, Carla Zanini e Nayara Santana. O Núcleo, dentro do Projeto Cena Livre realizado pelo Sesi, também apresentará a peça nas cidades de Piracicaba, Rio Claro, Marília e Araraquara. O DRAMATURGO Mário Bortolotto nasceu em Londrina, em 1962, é dramaturgo, ator e diretor de teatro. Na década de 80, fundou o grupo Cemitério de Automóveis. Já escreveu em jornais sobre cinema, literatura, teatro, música, história em quadrinhos e futebol. Em 2000 ganhou o prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) pelo conjunto da obra e o prêmio Shell de melhor autor por Nossa Vida Não Vale um Chevrolet. SERVIÇOS Os Anjos Vão Para o Céu Local: Sesi Franca Av. Santa Cruz, 2870 Data e horário: hoje e amanhã, às 20 horas Informações: (16) 3721-1444 ramal 218 Recomendação etária: 12 anos Duração: 70 minutos Entrada: Franca

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