Chuva volta à cidade e traz, com ela, os velhos problemas


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Alexandre Henrique, com a filha Maria Eduarda no colo, e a mulher Cláudia Silva ficaram “ilhados” com o barro formado após as chuvas nas ruas do Residencial Ana Dorothéa
Alexandre Henrique, com a filha Maria Eduarda no colo, e a mulher Cláudia Silva ficaram “ilhados” com o barro formado após as chuvas nas ruas do Residencial Ana Dorothéa
Os cinco dias de chuvas registrados em Franca foram suficientes para antigos problemas “avisarem” que estão de volta nesta temporada. Casas destelhadas, muros rachados, inundações e lama nos bairros sem asfalto estão entre as velhas ocorrências que atingem a cidade. Entre as manhãs de quarta-feira e ontem, o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) registrou precipitação de 34,2 milímetros, quantidade considerável, segundo o meteorologista Marcelo Schneider. “Não é uma chuva muito forte, mas é um volume bom, sim”, disse. A chuva intensa na madrugada de ontem interferiu na rotina do casal Alexandre Henrique, 33, e Cláudia Silva, 33, ambos sapateiros. Eles moram na esquina das ruas Maria Cecília Taveira com Urias Alves, no Residencial Ana Dorothéa, que não tem asfalto. Pela manhã desta quinta-feira, ele não conseguiu sair com o carro. “A frente da garagem e a rua que dá acesso à saída do bairro ficaram tomadas pelo barro. Corria risco de atolar, como aconteceu com o vizinho. Tive de esperar a lama secar um pouco para conseguir dirigir”, disse. Cláudia disse estar preocupada com as chuvas de verão. “Tenho trauma. Nossa casa já inundou duas vezes no ano passado. Perdi roupas, alimentos e móveis que ainda estava pagando. A água desce a rua e invade a casa, que fica bem na esquina”. Preocupada, não sabe se deve comemorar a chuva que amenizou a poeira no bairro em que vive. “Queria que chovesse porque estava seco demais. Mas vendo o estado da rua hoje, cheia de barro, fico preocupada com a vinda de mais água. Precisamos de asfalto urgente”. A vizinha dela também sofreu com a volta das precipitações. A dona de casa Sanieri Araújo, 24, viveu momentos de pavor na semana passada. No dia 18 à tarde, a chuva de granizo destelhou o banheiro e um dos quartos de sua casa. “Foi horrível. Estava com meus dois filhos pequenos (de 3 anos e de 6 meses) assistindo à novela e de repente começou a ventania e as telhas voaram. Saí correndo e só pensava em salvar meus filhos”, lembra. Ninguém se feriu. A água molhou móveis e roupas de Sanieri. Como a família é carente, a Secretaria de Ação Social providenciou os reparos do imóvel. A Prefeitura terminou ontem de trocar o telhado dos três cômodos da residência. No Jardim Cambuí, outro bairro sem asfalto, apesar de estarem com menos barro que no Ana Dorothéa, as ruas ficaram com algumas poças de água. Joaquim Borges, 62, carpinteiro gostou da chuva na madrugada de quinta-feira para aliviar a poeira, mas já sabe que se chover forte, terá dores de cabeça. “Chuva pesada acaba com a gente. A rua enche de buracos e barro. Tem de chover um pouco por dia”. O Secretário de Serviços Municipais, Ismar Tavares, não tem boas notícias para moradores de ruas não pavimentadas. “A Prefeitura não tem o que fazer. Se passar máquinas nessas ruas, piora 100% a situação. Nesses casos, só o asfalto mesmo”. Segundo ele, não foram registradas graves ocorrências com a chuva na madrugada de ontem. A partir de hoje, o tempo fica mais firme. O sol aparece entre nuvens e há previsão de pancadas isoladas. No fim de semana, também pode haver pancadas, mas apenas no fim da tarde. No sábado e no domingo, as temperaturas voltarão a subir e as máximas ficarão perto dos 30 graus.

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