‘Nana nenê que a mamãe foi trabalhar’


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A Maternalidade inspirou nomes ilustres da literatura mundial. Coelho Neto escreve “ser mãe é andar chorando sorriso, ser mãe é padecer no paraíso”. Um tanto piegas. Fico com Edmondo de Amicis ‘ficasse eu velho e ela, à minha custa, rejuvenescida’. O papel da mulher na sociedade corporativa, sendo obrigada a trabalhar fora de casa, contribui grandemente para o abandono da amamentação. A senadora Patrícia Saboya mandou ver muito bem junto ao eleitorado feminino propondo o aumento do prazo da licença-maternidade dos atuais quatro para seis meses. Já encaminhado para votação final, o Projeto de Lei 281/5 passou em votação terminativa, na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH). É terminativa em razão de não receber recurso de pelo menos nove senadores. Por isso vai direto à Câmara, não precisando passar pelo vexame de ir à plenária, ser objeto da mesmice, do óbvio ato contínuo, à sanção presidencial. Matéria pacífica, até porque estatísticas pesam neste momento, ou seja, 52% do eleitorado é composto por mulheres que não sabem do poder de voto que têm em mãos. Podem decidir uma eleição. Pacífica, se não quiserem discutir e melhorar o texto da lei. Descobriram que têm em mãos o governo de um país, matéria pacífica, mas deputados precisam apurar a lei, falta coisa aí! É determinado por lei que, qualquer empresa onde trabalham 30 mulheres ou mais tenha uma creche ou berçário. Se a empresa não tiver essa opção, a funcionária pode sair do serviço para amamentar o filho em casa. Ou seja, as leis já possibilitam o aleitamento exclusivo durante os seis primeiros meses de vida do bebê, e ainda incentiva a mãe a continuar a amamentação quando tiver que retornar ao trabalho. Não se discutem principalmente, melhores e maiores incentivos às empresas que substituírem o Estado no que é objeto da Educação e garantia constitucional, enfatizado no ECA. Taparam o sol com a peneira. Não acredito em meias conquistas nem em graduação na posse de direitos. Se os deputados não debaterem profundamente já temos um nome para ela: lei “Denorex”. Parece que é, mas não é. Um produto cujo marketing sugere... engano. Político na mídia, programa na gaveta. Salvamos a pátria do desmame dos nenês, mas difícil é passar a lei do desmame dos ‘Nenês do Orçamento’ (plagiando os “anões”). A remissão histórica da mulher trabalhadora, servindo como eixo referencial, poderia ajudar no raciocínio de uma ação política eficiente, como prova, respeito e reverência a um sempre tempo de lutas. Desde que o homem trabalhou, tem a ajuda da mulher. Companheira de todas as horas, era para os romanos, consortium vitae e, para os germanos, segundo Tácito, laborium periculorunque sócia. Passando por Esparta como matris e nutriz de raça forte. Tropeçando na cultura judaica, com inferioridade explícita, chega a Renascença com sua doce vingança de ser proclamada sábia e enciclopédica.Tropeça de novo no prêmio “Osso de Exploração do Trabalho” nas Américas dos Incas, onde eram literalmente ‘burros de carga’, carregando pesadíssimas cargas nos ombros, cortando lenha, fazendo tecidos e calçados, similitudes à parte, dupla, tripla, quádrupla jornada de trabalho. Se as melenas são as mesmas de antigamente, os problemas não mudaram muito. O figurino e cenário é que não são os mesmos. Não avançamos no debate e ponto final. DEU NO ‘NEW YORK TIMES’! Nos EUA, programas nas empresas que apóiam a amamentação reduziram de 27 a 30% as faltas no trabalho e 36% os custos com cuidados à saúde. A política de aleitamento materno, além de poupar gastos com a saúde dos bebês por diminuir sensivelmente o aparecimento de patologias infantis, proporciona benefícios econômicos para empresas na redução de faltas. Pesquisas informam que os empregadores que respeitam as leis trabalhistas e facilitam a amamentação no local de trabalho após a licença-maternidade atual, contam com funcionárias mais interessadas e com menores índices de falta. VINGANÇA MALIGNA Um indicador preocupante, fornecido por conselheira da Condição Feminina, batalhadora das causas da mulher trabalhadora: 200 mulheres foram demitidas do emprego após o decurso do prazo da licença-maternidade. Se for confirmado, é preciso maior envolvimento dos empresários, desencadeando um processo educativo nas empresas, como co-autoras de um mundo melhor. VIVE LA FRANCE! A França é um dos países do mundo que mais se preocupa com crianças de 0 a 6 anos. Segoléne Royale, enquanto ministra do Ensino Escolar, conseguiu elevar em 100% a taxa de escolarização de crianças de 3 anos, criando milhares de vagas suplementares. Concedeu às famílias a opção de escolha entre guarda individual (lar) ou coletiva (creches), assim como também cita que a diminuição da carga horária dos trabalhadores tem sido significativa para que os pais permaneçam mais tempo em casa com os filhos. Cuidando das crianças, preservando e melhorando muito o futuro. Vamos copiar? PAUSA PARA O CAFÉ Dr. Hélio Aurélio Franchini, pediatra, participou em Brasília do Movimento desencadeado pela Associação Brasileira de Pediatria em prol da amamentação, apelando principalmente aos Direitos da Criança, no ECA. Sente como os demais, diretamente nos consultórios, a negligência com crianças, vitimadas de inanição para as quais não tem receita. Hélio Aurélio Franchini, café com gosto de chocolate com pimenta e gotas de coragem, porque fazer política na Medicina nem sempre leva à cura...

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