Artista plástica transforma bonecas em bebês


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A artista plástica Mônica Zanconato segura no colo as bonecas Lara (à esq.), Ana Laura (ao centro) e Beatriz (à direita): “Cada uma que fica pronta é como se fosse um filho. Como mãe, tenho de colocar nome”
A artista plástica Mônica Zanconato segura no colo as bonecas Lara (à esq.), Ana Laura (ao centro) e Beatriz (à direita): “Cada uma que fica pronta é como se fosse um filho. Como mãe, tenho de colocar nome”
“A criança é tão linda que parece uma boneca”. A frase popularmente dita para elogiar nenês poderia tranqüilamente ser usada de forma inversa para falar dos trabalhos de Mônica Zanconato, 42. Detalhista, a artista plástica transforma bonecas em bebês. A semelhança das criações dela com humanos impressiona e até confunde quem não sabe que são apenas brinquedos. A técnica utilizada chama-se reborn e é novidade em Franca e no Brasil, onde chegou há dois anos. O trabalho consiste em reproduzir bebês de verdade no formato de bonecos. A riqueza de detalhes garante um resultado muito próximo do real. Mônica confecciona homens e mulheres e sempre procura reproduzir os traços da pessoa no rosto do boneco, como manchas, pintas, sobrancelhas e até as veias. Alguns detalhes são feitos com pincéis e outros com esponja. “A esponja dá uma aparência mais parecida com a da pele, dos poros. Para dar o aspecto roxeado do corpo dos bebês, dou um banho com tinta”. Para montá-los, utiliza moldes feitos de vinil importados dos Estados Unidos. O corpo é de tecido. Há modelos com diferentes expressões. “Temos bonecas de olhos abertos, fechados, azuis, castanhos, verdes, japonesas, negras, sorrindo, de boca aberta, fechada, com cabelos ruivos, loiros, castanhos ou pretos. O cliente escolhe”. Os cabelos são perucas de material sintético, cabelo humano ou feitos com pêlos de cabra que reproduzem a textura e aspecto dos fios dos nenês. “Coloco um por um com agulha, como se fosse um aplique”. Os brinquedos são vestidos com roupas e sapatinhos de recém-nascidos e até com fraldas. Outro detalhe importante para tornar as bonecas ainda mais reais é rechear o corpo, braços e pernas com areia para deixá-las mais pesadas. O peso delas é de cerca de dois quilos e meio e a altura de 50 centímetros. “É bem real. É incrível como as pessoas seguram as bonecas com cuidado, como se fossem de verdade mesmo. Até os homens fazem isso. É automático”. Para ficarem prontas, as bonecas levam de três a 30 dias, dependendo dos detalhes. Todas ganham nomes. “Quando fica pronto, parece filho de verdade. Como mãe, tenho de batizar”, brincou. Os preços variam de R$ 800 a R$ 1200. São produtos para enfeite. “Não é para uma criança brincar. É uma peça para colecionadores, uma relíquia”. Segundo Mônica, normalmente, compra as bonecas quem não pode ser mãe ou está com os filhos grandes. “É uma magia. As pessoas querem dar vida a elas. Em Franca, uma avó comprou de mim para presentear as netas”. Mônica conheceu a técnica reborn em maio deste ano, na internet. Pesquisou sobre o assunto, tentou fazer cursos, mas não deu certo. Disposta, resolveu arriscar. Importou os materiais e conseguiu fazer os bonecos-bebês. “É algo muito prazeroso de se criar”. Os clientes que encomendarem as bonecas precisam levar três fotos da criança para a confecção.

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