Voltar a falar depois de um derrame, andar após cirurgias nas pernas, recuperar os movimentos dos braços ou corrigir a postura para não ter mais dores na coluna. Muitas pessoas sonham atingir essas conquistas. Em Franca, o Centro de Reabilitação do Complexo Santa Casa permite que milhares de pacientes reaprendam a viver e realizem seus sonhos. O serviço, que nasceu há cinco anos, no início, reduzia-se ao atendimento de fisioterapia, mas ganhou caráter multiprofissional e tem hoje 1100 usuários com idades entre 3 meses e 81 anos cadastrados.
São pacientes de toda a região. 90% são atendidos gratuitamente - pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Há pessoas que sofreram traumas, fizeram cirurgias, têm artrose, bronquite, problemas motores, lesões musculares ou mesmo incontinência urinária.
Passam pelo local 350 pacientes por dia. A quantidade já foi o dobro. “Atendíamos 700 pessoas por dia, mas resolvemos reduzir a quantidade para atender com mais qualidade e reduzir o tempo de tratamento”, disse Carina Junqueira, fisioterapeuta supervisora do Centro. A duração do atendimento é variável e pode levar de dois meses a quatro anos.
A lista de espera é extensa. Cerca de 500 pessoas precisam de uma vaga. Até nos casos de urgência, que têm prioridade, há espera de um mês para iniciar o tratamento. “A demanda é alta. O serviço é o único em Franca que atende todas as patologias e trabalha com profissionais de várias áreas”. A gratuidade também intensifica a procura. “Para se ter idéia, uma pessoa que coloca prótese no quadril, por exemplo, tem de fazer, no mínimo, 16 semanas de fisioterapia para não perder a cirurgia. São duas sessões por semana, cada uma custa R$ 35 no mínimo. A pessoa teria de pagar R$ 1.120 pelo tratamento. Muitos não têm como fazer isso e acaba recorrendo ao SUS”, exemplifica Carina.
Trabalham no Centro de Reabilitação 30 profissionais -fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, psicólogos, fonoaudiólogos, nutricionista, assistente social, enfermeira, médica, recepcionista, auxiliares de serviço de saúde e funcionários da limpeza. Há ainda estagiários do curso de psicologia do Uni-Facef (Centro Universitário de Franca) e de fisioterapia do Centro Universitário Claretiano. “O serviço tem de ser multiprofissional. Não adianta o paciente com artrose fazer fisioterapia e continuar 30 quilos acima do peso. Não resolverá o problema. Tem de haver uma reeducação alimentar também”, disse a supervisora.
Todos os pacientes são encaminhados por médicos da rede pública de saúde e passam pela fisiatra, que define qual será o tratamento adotado para aquele caso. “Na área de terapia ocupacional, fazemos exercícios para ensinar atividades básicas para os pacientes, como a se alimentarem, tomar banho, pegar objetos ou abotoar uma camisa”, disse Renata Vieitez, terapeuta ocupacional do Centro.
A cabeleireira Marli de Souza, 53, mudou de vida depois de iniciar atendimento no Centro de Reabilitação. Há um ano, passou a sofrer com problemas de artrose e osteoporose e, sem conseguir andar, ficava deitava na cama praticamente o tempo todo. “Minhas pernas travaram. Se levantasse, meu joelho desgovernava e me jogava no chão. Para andar, me apoiava num cabo de vassoura. Se não fosse o Centro, meu futuro seria uma cadeira de rodas”.
Marli passa pelo local duas vezes por semana e é atendida por fisioterapeuta, nutricionista, médica e psicólogo. Ela faz exercícios para o joelho, alongamento e aprende a se alimentar corretamente. “Já emagreci oito quilos e me sinto bem melhor. Em comparação ao passado, minha saúde está uma maravilha. Minha auto-estima estava muito baixa, mas agora estou bem melhor”, disse. Sem trabalhar, a cabeleireira não teria condições de pagar pelo tratamento particular. “Estou tentando o auxílio do doença, mas ainda não consegui”.
O Complexo Hospitalar quer ampliar as instalações em 2008 (leia mais ao lado). O Centro de Reabilitação funciona Avenida Presidente Vargas, 2953, Jardim Petraglia, no complexo do Hospital do Coração. O atendimento é prestado das 7 às 19 horas.
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