Bicos complementam renda de sapateiros


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Agnaldo de Souza faz vistoria em sapatos em fábrica no Distrito Industrial em Franca
Agnaldo de Souza faz vistoria em sapatos em fábrica no Distrito Industrial em Franca
Agnaldo José de Souza, 36, morador no Jardim Martins, em Franca, levanta todos os dias às 5 horas. Uma hora e meia depois está na fábrica de calçados no Distrito Industrial para mais um dia de trabalho. Há oito anos, ele desempenha a função de “curinga” de prancheamento, um tipo de profissional “faz-tudo” dentro da empresa, e ganha R$ 700 por mês. A rotina, de oito horas de trabalho diário, se repete de segunda a sexta-feira, inclusive hoje, Dia do Sapateiro, e só é modificada no fim de semana, quando Agnaldo deixa o uniforme da fábrica de lado e parte para a execução de novas tarefas. Além de curinga, ele também faz bicos de garçom, segurança e vendedor de picolés. Tudo para completar a renda. Com 18 anos de profissão na área calçadista e com passagem por duas fábricas, Agnaldo diz que, há três anos, o número de sapateiros que trabalham com ele desenvolvendo atividades extras (fora do expediente) passou a crescer mensalmente, motivados pelas crises do setor. “A categoria está descrente do serviço, tem medo de perder o emprego, por isso busca outras alternativas. Um segundo trabalho também ajuda a pôr mais dinheiro dentro de casa. Sapateiro é uma profissão pouco valorizada”, disse. Não há dados oficiais de quantos sapateiros desempenham um segundo trabalho na cidade, mas esse tipo de comportamento tem se tornado cada vez mais comum e é reconhecido pelo presidente do Sindicato dos Sapateiros de Franca, Paulo Afonso Ribeiro. “Não é uma particularidade da categoria, mas essa prática tem crescido e isso é natural. Vejo como uma forma de cumprir projetos de vida e também como alternativa à instabilidade do mercado”. Ribeiro disse ainda que o perfil do sapateiro se renovou nos últimos anos e, hoje, é formado por jovens entre 17 e 35 anos, 40% mulheres e com salário médio de R$ 650. “Considero que o 25 de outubro é uma data a ser comemorada, pois as empresas estão se estabilizando e a categoria tem uma média salarial até maior do que de outros setores, como o comércio”. Sobre o que a categoria gostaria de ganhar de presente nesta data, o sindicalista lembra do desejo de transformar a data em feriado municipal. “Está na pauta de reivindicações. Talvez no próximo ano a gente consiga um representante na Câmara para brigar por essa causa”. NÚMEROS Segundo estatísticas do Sindifranca (Sindicato das Indústrias Calçadistas de Franca), a cidade tem hoje quase 28 mil trabalhadores com carteira assinada nas 760 indústrias de calçados cadastradas; desses profissionais, 27,42% têm apenas o ensino fundamental completo. O piso salarial é de R$ 485 e a produção de 2006 foi de 25,5 milhões de pares, 74% destinado ao mercado interno.

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