Os pacientes da rede pública com problemas na garganta, nariz ou ouvido terão de esperar a virada do ano para serem consultados por um especialista. Há pelo menos 15 dias, os agendamentos das consultas com otorrinos estão suspensos em Franca. As marcações só devem ser retomadas em 2008. As consultas com neurologista, cardiologista, neurocirurgião e médico vascular também estão limitadas, pois quase todos esses especialistas estão com a agenda lotada.
A rede conta com apenas três otorrinolaringologistas que estão com agenda cheia até meados de dezembro. Nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) da cidade, as marcações de consultas com otorrinos não estão sendo feitas. A orientação das atendentes é para que os usuários aguardem janeiro do ano que vem ou liguem de semana em semana para saber se há desistências.
O médico Rogério Bandos, um dos otorrinos da rede pública em Franca, aponta três fatores que levaram ao corte dos agendamentos: o aumento da demanda, demissão de dois especialistas e grande quantidade de usuários do SUS (Sistema Único de Saúde). Só ele atende em média 80 pacientes por semana. “O tempo está seco demais e, como a oscilação térmica em Franca é alta, as doenças respiratórias aumentaram na cidade”.
A orientação do médico é para que os usuários recorram ao Pronto-socorro “Doutor Janjão”. “Nesses casos, os profissionais analisam o caso e, se necessário, encaminham para o especialista. As urgências serão todas atendidas. Ninguém ficará descoberto”, garante Rogério Bandos.
Enquanto 2008 não chega, Elaine Silva, 31, sofre com dor de ouvido, zunido e audição prejudicada. “Tenho duas opções: ou espero 2008 ou pago por uma consulta particular. Terei de esperar. Sou mãe de quatro filhos pequenos e não estou em condições de pagar pelo atendimento”. A consulta na rede privada custa em média R$ 120.
Elaine começou a ter dores de ouvido no dia 1º de outubro. Passou pelo clínico-geral na UBS do Jardim Ângela Rosa e pelo “Doutor Janjão” e foi orientada a tomar medicamentos e fazer aplicações para eliminar o excesso de cera. “Já gastei uns R$ 70 com remédios e não adianta. Vai fazer um mês que estou doente. Espero que a rede pública resolva meu problema. Não dá para ficar sem escutar até o ano que vem”.
O secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, anunciou a contratação de mais otorrinos para trabalharem temporariamente até zerar a fila. Ferreira preferiu manter em sigilo as razões da redução dos atendimentos das outras especialidades.
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