Enriquecimento com abusos


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O cidadão tinha um plano de previdência privada no Bradesco, cancelou o contrato, sacou o fundo e ficou um saldozinho irrisório. Há 50 dias solicitou a sobra e até ontem o banco não havia feito o pagamento. É tamanha a demora que se caracteriza como apropriação indébita. Indignado, o cidadão pretende prestar queixa na polícia. Não pelo valor que tem a receber, mal dá para comprar uma cesta básica miserável, argumenta. É pela afronta, pelo desrespeito, pois absolutamente nada justifica a morosidade do banco. Se fosse o inverso, ele que estivesse em débito, mesmo de alguns centavos, seria torturado com as cobranças diárias, humilhado, rebaixado no reino animal para a categoria de vira-lata. Este fato soma-se a muitos outros que há tempos tornaram os bancos uma das instituições mais abominadas pela população brasileira seja esse ou aquele. Vade retro, belzebu. Representam o que há de pior para o desenvolvimento de uma sociedade: ganância extremada, busca do lucro fácil, sem risco, desigualdade no tratamento das pessoas, prepotência... enfim, é um balaio de aberrações. Excetuando-se os que trabalham para bancos, nenhum economista do mundo consegue entender como a taxa de juros no Brasil supera 44% ao ano com uma inflação anual de 3%. Isso em linhas de crédito mais baratas, porque a taxa do cheque especial passa dos 150%. A falta de competição no sistema bancário, a concorrência apenas aparente, explicaria em parte a distorção. Os bancos apontam o ‘risco da inadimplência’ para justificar a ganância orquestrada, o desejo incontrolável de ganhar em um dia o que a maioria das atividades produtivas demora anos. A diferença entre os juros cobrados e os pagos pelos bancos é uma das maiores do planeta. Se a falta de pagamento é realmente elevada, eles dispõem de meios para compensá-la, e deixaria de ocorrer na proporção que alegam se o custo do dinheiro não asfixiasse o tomador. Como ainda conseguem lucrar fortunas, sua justificava não convence. Cobram tarifas também exorbitantes pelos serviços prestados, com elas pagam os salários dos descartáveis, ou melhor, dos funcionários, e no geral ainda oferecem desconforto aos usuários: filas imensas, caixas eletrônicos que não funcionam, atendimento desigual, entre outras inconveniências. O que justifica o lucro? Se você resolve empreender e for bem-sucedido, conviverá sempre com a possibilidade de fracassar, por uma série variada de motivos perder a sintonia com as mudanças no mercado, ter concorrência mais forte, se desentender com o sócio etc. etc. O risco é inerente a qualquer negócio. Sem o risco, o lucro é simplesmente uma imoralidade, porque resulta mais de abusos. E a bancada enquadra-se nesse caso. RECUO E AVANÇO O emprego na indústria calçadista brasileira caiu 6,5% nos primeiros oito meses deste ano, em relação ao mesmo período de 2006, segundo o IBGE. Já as vendas do comércio nacional de calçados cresceram 10,5%, na mesma comparação. O descompasso entre os dois dados explica-se em parte pela queda da produção que a indústria destina ao exterior. O Brasil exportou 132,6 milhões de pares de calçados de janeiro a setembro, volume 2,3% inferior aos 135,7 milhões de pares embarcados nesses nove meses do ano passado. Como o preço médio passou de US$ 10,47 para US$ 10,92 (alta de 4,3%), o faturamento aumentou 2% - somara US$ 1,420 bilhão anteriormente e agora atingiu US$ 1,448 bilhão. A informação é da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A entrada de calçados chineses no País também explica o porquê de o varejo ter avançado nas vendas e a indústria recuado nas contratações de funcionários. De janeiro a setembro, o Brasil importou 16,6 milhões de pares da China, pelo preço médio de 6,32 dólares. Durante todo o ano passado, as compras somaram 14,6 milhões de pares. NOVO LEILÃO A marca de calçados infantis Ortopé e uma fábrica da extinta empresa gaúcha serão novamente leiloadas no dia 8 de novembro. O grupo Paquetá, também do Rio Grande do Sul, havia arrematado esses ativos em agosto, por R$ 18 milhões, mas desistiu do negócio, porque a Procuradoria da Fazenda questionou o preço mínimo fixado para o leilão. Os bens foram reavaliados e serão ofertados agora por R$ 27,4 milhões. CALÇADO PADRONIZADO O deputado francano Marco Aurélio Ubiali apresentou projeto de lei na Câmara Federal que torna o calçado parte do uniforme obrigatório dos alunos de escolas públicas e particulares. A intenção da proposta, segundo ele informou à Agência Câmara, ‘é diminuir o consumismo entre os jovens, já que usarão calçados idênticos, e gerar economia para as famílias que não dispõem de recursos’. O projeto será analisado pelas comissões de Educação e Cultura, de Constituição e Justiça e de Cidadania. AQUISIÇÃO A São Paulo Alpargatas aguarda o encerramento de uma auditoria na CBS (Companhia Brasileira de Sandálias) para confirmar a compra dessa empresa pernambucana, por R$ 49,5 milhões. O anúncio deve ocorrer no final deste mês. A Alpargatas, fabricante das Havaianas, detém cerca de 40% do mercado nacional de sandálias de borracha de dedo, e a CBS, dona da marca Dupé, 6%.

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