Todos nós, moradores ou de passagem freqüente, conhecemos o caos que é o trânsito francano. E não adianta dizer que o problema existe por causa do número de veículos que rodam na cidade. Não justifica.
O problema, ou problemas, são outros: falta de semáforos em rotatórias, inexistência de valetas ou lombadas em retas extensas; excesso de condutores sem habilitação, documento suspenso ou vencido; menores dirigindo livremente, excesso de condutores acometidos da síndrome do piloto de corrida e falta de interesse das autoridades em aumentar a fiscalização apesar de receberem salário para organizar e ordenar o trânsito.
As mortes regulares se devem à imprudência dos que dirigem. O uso das ruas como pista de corrida é hábito. Veículos trombam com postes, muros, árvores, caçambas, retroescavadeiras, casas e até cavalos e vacas, seja dia ou noite. Quem ainda não viu alguém dirigindo pela cidade bebericando uma lata de cerveja?
Não basta guinchar o carro. O condutor flagrado sem a CNH deveria ser detido e se ficar comprovado que não é habilitado, deveriam prendê-lo, assim como quem não paga pensão alimentícia. Seriam preservadas, além da vida dele, a dos que ele poderia matar.
Franca é hoje uma cidade de ninguém. As autoridades, ao que parece, estão surdas, mudas, cegas, emburrecidas e, pior, sem nenhuma vergonha da incompetência com que olham para a vida. Não se importam, pois seus salários estão garantidos.
Os orgãos de segurança sabem do hábito da direção com celular ao ouvido e em estado de embriaguês, mas não oferecem tratamento de choque. Não se enganem: campanha de conscientização, para ter resultado, tem de “morder” duramente o bolso. Não morde e, não produz resultados.
Os fiscalizadores deveriam apreender, suspender e até cancelar a habilitação, além de deter o infrator e obrigá-lo a refazer tanto cursos de condutores e de cidadania quantos fossem possíveis e indispensáveis. Sem rigor, os kamikases de Franca continuarão insensíveis como a água com açúcar que está nos outdoors da cidade. Falta ferro e fogo.
MARCELO M. ZWARG é leitor do Comércio da Franca
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