Após perder tudo por ‘forças do mal’, andarilho vive em garagem


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SEM CONDIÇÕES - Roberto Simões passa boa parte do dia deitado em um colchonete em cima de entulhos em uma garagem de Batatais: há seis meses ele não toma banho
SEM CONDIÇÕES - Roberto Simões passa boa parte do dia deitado em um colchonete em cima de entulhos em uma garagem de Batatais: há seis meses ele não toma banho
Roberto Simões, 43, morador de rua, está alojado provisoriamente em uma garagem em construção de uma casa na Rua Coronel Manoel Gustavino, na Vila Lídia, em Batatais. O último banho ele não se lembra quando tomou, mas garante que já faz mais de seis meses. Vivendo de doações de comida, ele carrega consigo apenas uma marmita, um colchonete, uma garrafa de água e uma segunda garrafa que, eventualmente, lhe serve de penico. Não é preciso conhecê-lo para localizá-lo a distância. Pela falta de banho e higiene pessoal, o odor indescritível o denuncia. Crostas de sujeira pela pele, unhas e cabelos imundos dão prova de que Simão perdeu o amor próprio há muito tempo. “Ninguém ‘tem confiança’ de me deixar entrar em casa para tomar um banho”, afirma ele, omitindo o fato de que já foi por diversas vezes levado a casas de assistência e não se adaptou às regras. O motivo seria o fato de Simão ingerir bebidas alcoólicas constantemente, condição não aceita pelas casas assistenciais de Batatais. Mas o andarilho tem outra versão. “Não fiquei porque lá eles são do ‘satã’ e eu sou do reino do céu”, disse. Simão sonha em morar em um quarto com um banheiro e um chuveiro. O andarilho narra uma história de vida sofrida, em que teria sido vítima de intrigas que lhe renderam diversos tiros e facadas, tortura e até uma queda em um abismo quando morava no Mato Grosso do Sul, onde disse que trabalhava como operador de máquinas cerca de quatro anos atrás. Ele conta que foi amasiado com uma mulher com a qual tem um filho, no entanto, “forças do mal” e as tais intrigas fizeram com que perdesse trabalho e família. A última suposta tragédia é apontada por ele como a causa da dificuldade de mobilidade que apresenta. Ele caminha com muito embaraço e até se arrasta pela calçada. A moradia provisória foi autorizada pelo proprietário do imóvel, o carcereiro Valdir Coutinho. “Ele estava dormindo embaixo de árvores e eu disse que ele poderia ficar no local desde que não fizesse barulho”, afirmou Coutinho. O mau cheiro e a falta de higiene no local parecem não incomodar o carcereiro nem a maioria dos vizinhos, que diariamente ajudam Simão com doações de alimentos. Segundo o chefe de gabinete da prefeitura, José Paulo Fernandes, várias medidas já foram tomadas para melhorar as condições de vida do andarilho. “A prefeitura já o encaminhou para a Comunidade Missionária Divina Misericórdia, associação cuja finalidade é acolher os moradores de rua, mas não adiantou. Ele não aceita ajuda e não podemos obrigá-lo a ficar”, afirmou.

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