Alfredo Palermo
Especial para o Comércio
O dia 15 último foi lembrado como “Dia do Professor”. Escolas públicas, com maior número de instituições, lideradas por docentes idealistas e heróicos, organizaram comemorações para pôr em relevo a atividade benemérita desses e dessas intelectuais a que se confia o início da formação cultural da sociedade. Falamos em “ensino fundamental”, mas é sabido que muitas escolas têm também atividades mais complexas, pois oferecem ensino ginasial e, não raro, colegial. São tantos os problemas, como se sabe, quer no grau fundamental, como no grau de ensino médio, que o jornal ‘O Estado de São Paulo’, em sua edição do dia 15 p.p., publicou importante artigo com este título pleno de pessimismo: “Falta quem queira ser professor”, de autoria de Renata Cafardo, com a colaboração da professora Maria Rehder.
Este artigo traz importantes informações e comentários sobre o ensino médio que é urgente divulgá-lo. E o início dessa exposição começa com esta porcentagem terrível: “Mais de 70% dos formados em Licenciatura no País não trabalham como professores nas escolas brasileiras”. E as autoras recorrem ao Ministério da Educação para sublinhar a terrível lacuna: “71,2% dos formados em Licenciatura (para o ensino médio) não trabalham como professores”, mas escolhem atividades que remuneram melhor seus servidores ou funcionários.
No entanto, a situação se agrava na área das “ciências exatas”, pois alegam que “Somos poucos e estamos ganhando mal”, segundo um docente ao explicar sua posição às jornalistas. Duas disciplinas apresentam situação mais grave: Física e Química. O nível da pesquisa mostra a deficiência preocupante do ensino dessas duas disciplinas. Leia-se a verificação das jornalistas: “Em Física e Química existem 6 mil e 8 mil professores licenciados, mas são cerca de 60 mil trabalhando em cada uma dessas áreas. E a conclusão: “Portanto, cerca de 90% de quem ensina essas disciplinas não têm a formação adequada para isso, concluem as professoras do ‘Estadão’”.
Sabe-se que os estudos de Física e Química são difíceis e fundamentais para o “prosseguimento de carreiras de áreas científicas e tecnológicas; e sabe-se também que o ensino primário atual não suportaria introdução ao estudo de física e química. Na verdade, falta interesse para uma remuneração adequada aos que oferecem o ensino fundamental. Sem salários dignos para os professores de ensino fundamental, ginasial e colegial, faltam duas providências para salvar o ensino brasileiro: primeiro, alteração da legislação oficial modernizadora do aprendizado de primeiro e segundo graus; segundo, remuneração adequada e digna dos professores, para que se envolva numa batalha salvadora da formação cultural do Brasil. O artigo de Renata Cafardo e da professora Maria Rehder deve ser motivo de campanhas nacionais de salvação do ensino e da cultura brasileira.
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