Se o presidente Lula fosse policial e trabalhasse em Franca, certamente iria dizer: “Nunca na história desta cidade se prendeu tantos traficantes quanto agora”. Usado à exaustão para promover feitos do governo, o jargão presidencial ilustra bem a cruzada das Polícias Civil e Militar contra a venda de entorpecentes na cidade. Nos dez primeiros meses do ano, foram registrados 146 flagrantes de tráfico de drogas no plantão ou na sede da Dise (Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes).
Eles resultaram na prisão de 186 pessoas. A este número, deve-se acrescentar mais 30 prisões resultantes de mandados de busca expedidos pela Justiça. O somatório - 216 - equivale à capacidade aceitável da cadeia do Jardim Guanabara.
Com um efetivo maior e homens fazendo o patrulhamento preventivo pela cidade, a Polícia Militar foi a responsável por 110 flagrantes e pela prisão de 115 traficantes de janeiro ao dia 18 de outubro. No mesmo período, a Dise - que concentra suas ações no desmantelamento de grupos organizados - fez 36 flagrantes e mandou 71 criminosos para a cadeia.
Mais relevante do que a quantidade, foi a qualidade das prisões. O serviço de inteligência, com a massificação das escutas telefônicas e monitoramento dos traficantes, resultou no desmantelamento de três quadrilhas que eram as responsáveis pela quase totalidade do abastecimento de cocaína, crack e maconha em Franca. Os bandos desintegrados eram chefiados pelos presidiários francanos “Vagão”, “Brunão” e “Vaca”, apontados pela polícia como líderes do PCC (Primeiro Comando da Capital).
Mesmo de dentro de penitenciárias no interior do Estado, eles comandavam, por meio de celular, a compra e venda de drogas. “Com a prisão dos integrantes dos bandos, acredito que o tráfico recebeu um duro golpe. Nosso objetivo na Dise é desmantelar a organização voltada para este tipo de crime.
Sabemos que outras pessoas continuam vendendo, mas, desarticulando as quadrilhas e prendendo os líderes, diminuiremos o grande volume de entorpecentes na cidade”, comenta o delegado Pedro Luiz Dalláqua.
No dia 17 de agosto, os policiais da Dise prenderam o dono de uma revenda de veículos em Franca. O comerciante é acusado de financiar uma quadrilha ligada ao PCC e especializada em traficar drogas. O acusado fornecia carros para traficantes e eles trocavam os veículos por entorpecentes. Em contrapartida, recebia valores em dinheiro bem acima do preço de mercado.
A ofensiva mais relevante, no entanto, começou a se deflagrar no começo deste mês e ainda permanece em andamento. No dia 6, a Polícia Civil surpreendeu um criminoso com 50 quilos de maconha na Rodovia Cândido Portinari. Sua captura desencadeou uma série de outras prisões. Em duas semanas, nove integrantes da quadrilha foram parar atrás das grades. Outros seis, foram identificados e são procurados.
Os traficantes eram donos de “biqueiras” - pontos de vendas de drogas - em oito áreas diferentes da cidade. A quadrilha é comandada por um bandido conhecido no mundo do crime por “Brunão”, que está preso na penitenciária de Valparaíso (SP). “Ele mandava as drogas para a cidade e organizava a distribuição para as ‘biqueiras’. Os gerentes dos pontos revendiam e, depois, parte do lucro era enviada a ele”, conta Dalláqua. Com a prisão dos gerentes, a polícia acredita ter derrubado o esquema.
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