Desde a implantação do Plano Real em 1994 até hoje, a taxa cobrada pela Igreja Católica para realizar casamentos subiu quase quatro vezes mais que a inflação do mesmo período. Naquela época, para se casar, os noivos pagavam R$ 25 à paroquia onde seria realizado o casamento. Treze anos depois, esse valor é hoje de, no mínimo, R$ 150. O preço é estipulado pela Província Eclesiástica de Ribeirão Preto, composta por oito dioceses, entre elas, a de Franca.
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a inflação acumulada, de 1994 pra cá, é de 175,79%. Já a taxa de casamento cobrada pela igreja foi reajustada em quase 700%. A taxa não superou apenas a inflação: ela também subiu quase três vezes mais que o valor do salário mínimo, que acumulou um reajuste de 280% no período.
Só no ano passado foram realizados 1141 casamentos em Franca, que proporcionaram à Igreja Católica uma renda aproximada de R$ 216 mil. A igreja não confirma os valores arrecadados com os matrimônios.
O pároco da Capelinha, frei Jésus Maria, disse que a verba é inserida na receita de toda a igreja e destinada para suprir as despesas da instituição. “São gastos com folha de pagamento de funcionários, manutenção do prédio... É mais uma receita que a paróquia tem para aplicar em diversas áreas”. Além disso, o dinheiro serve ainda para custear o registro do matrimônio.
O chanceler da Diocese de Franca, padre Adilson Fortunato, disse que, para estabelecer o aumento da taxa, a igreja não se baseou em nenhum parâmetro. “O preço é determinado através de um consenso entre os bispos da província eclesiástica. Não há um fator específico que determine o seu aumento”. Ainda segundo ele, quem recolhe o dízimo ou não tem condições de arcar com a taxa pode ficar isento. “Tudo vai depender do que o padre de cada paróquia determinar, já que, apesar de cobrada de todos os casais, a taxa para a cerimônia de casamento não é obrigatória”.
ENCARECENDO
A taxa de matrimônio não é a única cobrada de quem quer se casar na Igreja Católica. Em muitas paróquias, ainda existem os custos da decoração e a taxa do curso de noivos. E se os noivos quiserem se casar em uma paróquia diferente da que residem, ainda terão de arcar com a taxa de transferência.
O valor de cada um desses itens varia de igreja para igreja, mas, na média, o valor da decoração fica em torno de R$ 90. O curso de noivos, R$ 10 e a transferência, R$ 300 (R$ 150 para a igreja de origem e mais R$ 150 para onde a cerimônia religiosa acontecer). “No entanto, se o casal conversar com o sacerdote, há possibilidade da cobrança ser em apenas uma paróquia”, disse Fortunato.
Com o casamento marcado para o próximo dia 27, a cabeleireira Fabiana Souza Neves, 29, e o sapateiro José Eurípedes Rodrigues, 43, não precisaram pagar a taxa de transferência. Eles são moradores no Jardim Parati e geograficamente pertencem à Paróquia São Pedro, mas vão se unir na Paróquia Nossa Senhora das Graças. “Não temos condições de custear as duas taxas. Ainda bem que deu tudo certo”, disse Neves.
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