E se não fosse a Cana...


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Hélio Donizeti Carrijo que vende ‘garapa’ há cinco anos
Hélio Donizeti Carrijo que vende ‘garapa’ há cinco anos
De sombra e caldo de cana geladíssimo tem vivido o mineiro Hélio Donizeti Carrijo, 51, que há 16 anos mora com a família em Franca. Depois de tentar trabalho em várias atividades relacionadas ao setor comercial e também agrícola, que não deram certo, ele resolveu montar uma barraquinha na esquina de casa, na Avenida Dom Pedro I, no Residencial Nova Franca, para vender caldo de cana, ou para quem preferir, a famosa “garapa”. O negócio começou pequeno em 2002. Apenas um “puxadinho” de lona com um carrinho de mão era usado como balcão para preparar a bebida. Criativo, resolveu inovar e colocar à disposição dos clientes três sabores de caldo - limão, maracujá e abacaxi. A inovação agradou e as vendas passaram a crescer. Com um ano e meio de mercado e um pouco de economia, aumentou a área de vendas. Comprou um baú e construiu uma espécie de “toldo” para abrigar os fregueses. “Resolvi investir na recepção dos clientes. Num local coberto, eles podiam ficar mais à vontade. Além disso, a cobertura ajudou a proteger da chuva. Antes, tinha que ir embora quando as águas começavam a cair”, lembra Carrijo. Graças à propaganda boca a boca e o capricho com que prepara os caldos de cana, “Seu Hélio”, como é conhecido, começou a ter clientes assíduos. “Um falava para o outro, que comentava com um amigo e as pessoas passaram a conhecer o meu caldo de cana”, disse. Com visão de empreendedor, colocou nome na barraquinha, Caldo de Cana Ki Delícia, e modernizou os equipamentos. Comprou máquina de moer a cana de inox, passou a triturar o gelo no liquidificador ao invés de colocá-lo inteiro no copo e criou uma engenhoca para limpar a cana. “Os outros garapeiros fazem a limpeza da cana na mão, com a faca. Eu peguei um motor e duas escovas de aço e criei a máquina”. De copo em copo, fez mais economias e reformou a casa onde mora com a mulher e as filhas e alugou um cômodo para guardar a cana cortada. “Troquei o telhado e pintei a casa. Depois vi que precisava de um lugar que funcionasse como depósito de cana, então resolvi alugar um cômodo”. A batalha por melhorar de vida não parou por aí. Solidário e estratégico, ajudou um amigo desempregado e com ele montou, há um ano, a segunda unidade da Caldo de Cana Ki Delícia. “Ficamos parceiros e abrimos uma barraquinha na Avenida Integração, próxima ao supermercado Pedigoni. A qualidade é a mesma e o ponto também é muito bom”. O DIA DE TRABALHO Para poder atender a clientela com um caldo de cana fresco e bem preparado, Hélio acorda antes das 5 horas todos os dias e percorre mais de 30 quilômetros em busca da principal matéria-prima, a cana. “Vou até a lavoura sozinho e corto em média 350 quilos de cana a cada três dias”, disse. Das 7 às 10 horas, o garapeiro se dedica a limpar a cana e a conferir a quantidade de copos, gelo e polpas de frutas. Às 13 horas, abre a barraca e ali permanece até o cair da noite. Com o horário de verão, Hélio só termina o expediente depois das 19 horas. “Trabalho quase que 18 horas direto. Precisa ter fibra e saúde, caso contrário não agüenta”. O movimento é intenso a tarde toda, principalmente em dias de calor. De bicicleta, de carro, caminhão ou a pé, sempre há alguém experimentando o caldo, digno de elogios por parte dos fregueses. “É muito bom. Em dias quentes ajuda a refrescar. Gosto do de abacaxi e do de maracujá”, elogiou o comerciante Élber Gonçalves. Com uma média de vendas de 80 copos diários, o que equivale a 40 litros de garapa, Carrijo não pensa em abandonar o ramo, mas sim em expandir os negócios. “Ganho entre R$ 800 e R$ 1 mil líquidos por mês e estou feliz com o resultado. É uma prova que com trabalho honesto e humildade dá para se manter sem precisar mexer no que é dos outros. Me considero um batalhador e só tenho a agradecer a Deus”.

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