As revendas da Ambev


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Um dos casos mais nebulosos da história do direito econômico brasileiro foi a compra da Cervejaria Antarctica pela Ambev. Não apenas pela concentração de mercado a nova cervejaria passou a dominar 70% do mercado brasileiro mas pelos efeitos sobre a rede de revendedores. Nas negociações prévias, havia a garantia de que as duas redes seriam preservadas. Os revendedores pleiteavam, também, que a Ambev só poderia entrar, com venda própria, em um número limitado de cidades. E que não haveria o compromisso da exclusividade da parte deles. No dia da votação, todas as cláusulas que beneficiavam a Ambev foram aprovadas, em um episódio do qual o então presidente do CADE, Gesner de Oliveira, ainda terá que explicar um dia ao menos para registro na história do direito econômico brasileiro. *** Ano após ano, a rede passou a ser pressionada pela empresa. Primeiro, na redução das margens. Depois, na invasão da área de atuação das distribuidoras. O máximo que os revendedores conseguiram, após algumas batalhas judiciais, foi indenização no caso de cancelamento da autorização para operar como revenda. *** Isso é história. O interessante é tentar esse xadrez daqui para frente. Quando começou a abertura da economia, os grandes financistas especialmente os craques que assumiram a Ambev perceberam que as empresas que melhor resistiriam à invasão estrangeira seriam aquelas com estrutura de distribuição capilarizada, por todo o país. Daí a razão de terem investido na cervejaria. Hoje em dia, deixou de ser um diferencial. A empresa possui conhecimento amplo sobre o mercado dos grandes centros e das redes de supermercados. Classe média é igual à classe média de qualquer outro país ocidental. Atinge-se com campanhas maciças de rádio, TV e revistas. Também não há a menor dificuldade em montar estruturas de logística para atender as maiores cidades. Dependendo desses mercados, portanto, a rede de revendedores Ambev estará com seus dias contados. *** O único campo onde os distribuidores serão capazes de concorrer com a estrutura centralizada da Ambev será junto ao chamado consumidor invisível as novas classes D e E, que se tornaram a menina dos olhos dos grandes grupos. A grande vantagem desse mercado, é que o consumidor não é padronizado e massificado como a classe média. Esse consumidor conforme já escrevi aqui atua baseado fundamentalmente na comunicação oral. A reputação de marcas se faz no boca a boca. As marcas se incorporam à cultura de cada grupo, aumentando a fidelização. A questão da renda exige novas formas de comercialização, para tornar o produto mais acessível a Nestlé, por exemplo, está criando rede de vendedores porta a porta para yougurte. É nesse campo que está o diferencial. Depois, na capacidade da rede em se associar em torno de uma empresa maior, que consolide as diversas revendas. E aí buscar capital em Bolsa para ganhar vida própria, e valorizar o diferencial. É um xadrez interessante, e vale para todas as estruturas independentes de distribuição. Fusão na área - 1 Está em andamento um estudo sobre a viabilidade de uma fusão entre duas empresas do setor alimentício: a Perdigão e a Eleva Alimentos. Em comunicado enviado quinta-feira à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), as empresas informaram que assim que as condições da operação estiverem concluídas, os acionistas e demais agentes do mercado serão informados. A fusão irá mexer no mercado de alimentos. Fusão na área - 2 Atualmente, a Perdigão ocupa a segunda colocação no setor de carnes de frango e suína do Brasil, ficando atrás apenas da Sadia. A expectativa é de que com a operação, que deve consistir na incorporação da Eleva pela Perdigão, esta última alcance a posição de líder neste mercado. Somados os faturamentos do ano passado chega-se a um total de R$ 7,1 bilhões, mais do que os R$ 6,8 bilhões da Sadia. Fusão na área - 3 Em 2006, a Sadia chegou a realizar uma oferta de R$ 3,88 bilhões para assumir o controle da Perdigão, porém os acionistas recusaram a oferta. A possível fusão com a Eleva e o conseqüente crescimento da Perdigão seria uma forma de se proteger contra novas tentativas de aquisição. A Eleva foi fundada no Rio Grande do Sul. Além disso, a Eleva exporta produtos para mais de 100 países. Fusão na área 4 Dos R$ 2 bi de faturamento da Eleva, 56% são de leite e lácteos. Frangos contribuíram com 30,9%, suínos com 8,6% e industrializados com 2,3% da receita bruta. No primeiro semestre de 2007, a Eleva apresentou lucro líquido de R$ 40,6 milhões, contra um prejuízo de R$ 68,5 milhões no mesmo período do ano passado. O lucro bruto da Perdigão foi de R$ 822,3 milhões no primeiro semestre, 64,1% a mais em relação ao mesmo período de 2006. Gerdau no México A Gerdau anunciou a compra de 49% da siderúrgica Aceros Corsa, do México. O valor acertado foi de US$ 100,5 milhões. Entraram na compra distribuidoras da empresa mexicana, que fica localizada na cidade de Tlalnepantla. A Aceros Corsa é pequena, com capacidade de produzir 150 mil toneladas de aço bruto e 300 mil toneladas de laminados por ano. Vão ser investidos US$ 400 milhões para a produção de perfis estruturais no México.

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